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quarta-feira, 27 de março de 2013

Quem é o maior (Marcos 9, 30 – 50)


A Palavra e a Luz


É muito comum sentirmos algumas perturbações ao lermos alguns textos bíblicos, é algo como uma névoa que fica à frente dos nossos olhos, para reduzirmos um pouco deste efeito tão comum temos que ter um crivo para confrontar aquilo que entendermos ou ouvimos com o nosso conhecimento sobre a pessoa de Deus. Fazendo isso criamos um filtro para acrescentar ou refutar novas ideias e a cada passo vamos enriquecendo mais e mais a nossa relação com Deus e sua grandeza.
Esta passagem de Marcos vai de encontro a tudo isso, ela questiona tudo aquilo que entendemos e aprendemos sobre valores morais e éticos. Implode nossos conceitos piramidais de poder e nos mostra que o verdadeiro valor não está em ser servido.
Se quisermos realmente seguir Jesus devemos aprender o real sentidos de seus valiosos ensinamentos e como tal o texto abaixo está repleto destes sagrados valores.

Marcos 9, 30 – 50
(30) Tendo partido dali, caminhava através da Galileia, mas não queria que ninguém soubesse, pois ensinava aos seus discípulos e dizia-lhes: “O Filho do homem será entregue às mãos dos homens e eles o matarão e, morto, depois de três dias ele ressuscitará”. Eles, porém, não compreendiam essa palavra e tinham medo de interroga-lo. (33)
(34) E chegaram a Cafarnaum. Em casa, Ele lhes perguntou: “Sobre que discutíeis no caminho?” Ficaram em silêncio, porque pelo caminho vinham discutindo sobre qual era o maior. Então ele, sentou, chamou, os Doze e disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos”. Depois tomou uma criança, colocou-a no meio deles e, pegando-a nos braços, disse-lhes: Aquele que recebe uma destas crianças por causa do meu nome, a mim recebe; e aquele que me recebe, não é a mim que recebe, mas sim àquele que me enviou”. (37)
Disse-lhe João: Mestre, vimos alguém que não nos segue, expulsando demônios em teu nome, e o impedimos porque não nos seguia”. Jesus, porém, disse: “Não o impeçais, pois não há ninguém que faça milagre em meu nome e logo depois possa falar mal de mim. Porque quem não é contra nós é por nós.
De fato, quem vos der a beber um copo d’água por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa.
Se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem, melhor seria que lhe prendessem ao pescoço a mó que os jumentos movem e o atirassem ao mar. E se a tua mão te escandalizar, corta-a: melhor é entrares mutilado para a Vida do que, tendo as duas mãos, ires para a geena, para o fogo inextinguível. E se teu pé te escandalizar, corta-o: melhor é entrares com um só pé na Vida do que tendo dois pés, seres atirado na geena. E se teu olho te escandalizar, arranca-o: melhor é entrares com um só olho no Reino de Deus do que, tendo os dois olhos, seres atirado na geena, onde o verme não morre e onde o fogo não se extingue. Pois todos serão salgados com fogo. O sal é bom. Mas se o sal se tornar insípido, como retemperá-lo? Tende sal em vós mesmos e vivei em paz uns com os outros.”


No primeiro parágrafo do texto acima Jesus fala como se dará sua morte e ressurreição, embora seus discípulos sejam incapazes de compreender a dimensão do que está por vir, eles não tem coragem de perguntar o sentido daquelas palavras. Mas Jesus não está preocupado com isso, pois, Ele sabe que em seu devido tempo esta compreensão virá, embora muitos até hoje não compreendem.
Um dos aspectos, no texto de Marcos em questão, é que: apesar de estarem caminhando com Jesus, mesmo assim, os discípulos estavam divididos entre si, por conta da ambição que pairava sobre eles.
As disputas hierárquicas entre os discípulos tem presença marcante no Novo Testamento e é ai que o pecado original se manifesta, pecado que é inerente a todos nós. O pecado original foi entendido de forma errônea durante muito tempo, na realidade o pecado original é aquele desejo que temos de querer ser ou ter mais que os outros, não importando quem seja este outro, e isso, de uma forma ou de outra, acontece até nos corações mais puros. Em minha infância aprendi que o pecado original era o ato da relação sexual e com um pouco mais de idade fiquei com uma questão em minha cabeça: Como fica então a bênção que Deus deu aos seres humanos nas palavras de Gênesis 1, 28? “Deus os abençoou: "Frutificai, disse Ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.”. Tendo isso em vista, se o ato da relação sexual fosse o pecado original Deus estaria nos mandando pecar.
Jesus diz que entre os seus discípulos não deve ser assim, eles devem ser como crianças. Para entendermos melhor esta argumentação podemos pegar um exemplo no Novo Testamento: Maria, a mãe de Jesus, aos seus doze ou treze anos de idade, Deus lhe convida a conceber seu Filho, ela primeiro questiona e após receber a sua resposta aceita com um sim incondicional (Lucas 1, 34 - 38). Maria ainda era uma criança mas também era astuta, tanto que entendia que seria preciso um homem para conceber, além disso, assim que ela soube da gravidez de sua prima Isabel (Lucas 1, 39), ela correu para ajudar, pois, sabia também que seria uma gravidez de risco porque Isabel tinha idade avançada (Lucas 1, 7).
Em Marcos, quando Jesus pede aos seus discípulos para, arrancar, ou cortar um membro, Ele invariavelmente, menciona os membros do corpo humano que possuímos em pares. Jesus está nos dizendo que, todos temos os dois lados, só que Ele nos pede para trabalharmos o nosso lado bom e nos separarmos do nosso lado mal, fazendo isso Ele contrapõe um costume muito errado que carregamos conosco até os dias de hoje, quando dizemos: “aquela pessoa é do mal, ou “aquela é do bem”.
Afastar-se das coisas que dividem, das que desviam do Caminho de Deus, ter pureza no coração assim como as crianças mas, sem perder a astúcia, isso tem paralelo nos textos de Mateus, nas palavras do próprio Jesus, Ele diz: “Eis que vos envio como ovelhas entre lobos. Por isso, sede prudentes como as serpentes e sem malícia como as pombas”. (Mateus 10, 16), palavras duras, como tem que ser as palavras de um líder aos que pretendem segui-lo, mas mesmo assim Jesus está pedindo apenas o mínimo, astúcia e pureza de coração são pré-requisitos básicos para seguirmos Jesus.
Servir o menor é seguir o exemplo do Mestre Jesus quando lava os pés dos seus discípulos e ensina que eles devem fazer o mesmo (João 13, 12 – 17).
Servir a todos é o que Deus nos faz, como Pai que nos vê como crianças até os dias de hoje, e ninguém e nem nada consegue ser maior que Ele.

“Vós, portanto, amados, sabendo-o de antemão, precavei-vos, para não suceder que, levados pelos enganos desses ímpios, venhais a cair da vossa firmeza. Crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a Glória agora e até o dia da eternidade! Amém.” (2 Pedro 3, 17s).

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Fuga de Ló.

"A Fuga de Lot"
2000-2003
160 x 165 cm
Óleo sobre tela colada em madeira
Página 133 do livro "ARAUJO - Pinturas do Antigo e Novo Testamento"

"É imenso o clamor que se eleva de Sodoma e Gomorra, e o seu pecado é muito grande."  (Gênesis 18, 20)


A proposta de fazer esta reflexão é a de faze-la sobre este quadro do Carlos Araujo que faz parte da coleção particular de uma grande amiga.

A reflexão teológica pode ser feita sobre uma imagem, ela pode também ser produzida sobre um artigo de jornal. Onde nos depararmos com uma situação de injustiça nos cabe a seguinte pergunta: “O que Jesus faria frente a esta situação?”. Nos textos sagrados, na grande maioria das vezes, Jesus olha para a realidade e só ai lança seus ensinamentos, nós também devemos fazer o mesmo, devemos enxergar a realidade e senti-la na pele para entende-la e  esta forma de produzir teologia é chamada de: Teologia da Libertação.

A palavra de Deus é inesgotável e este texto pode nos conduzir a muitas linhas de reflexões, minha proposta aqui é caminhar por uma destas possibilidades e para tanto segue a passagem na integra.

Fuga de Ló - Gênesis 19, 1 - 38
Pela tarde chegaram os dois anjos a Sodoma. Ló, que estava assentado à porta da cidade, ao vê-los, levantou-se e foi-lhes ao encontro e prostrou-se com o rosto por terra.
"Meus Senhores, disse-lhes ele, vinde, peço-vos, para a casa de vosso servo, e passai nela a noite; lavareis os pés, e amanhã cedo continuareis vosso caminho."
"Não, responderam eles, passaremos a noite na praça."
Mas Ló insistiu tanto com eles que acederam e entraram em sua casa. Ló preparou-lhes um banquete, mandou cozer pães sem fermento e eles comeram.
Mas, antes que se tivessem deitado, eis que os homens da cidade, os homens de Sodoma, se agruparam em torno da casa, desde os jovens até os velhos, toda a população.
E chamaram Ló: "Onde estão, disseram-lhe, os homens que entraram esta noite em tua casa? Conduze-os a nós para que os conheçamos."
Saiu Ló a ter com eles no limiar da casa, fechou a porta atrás de si e disse-lhes: "Suplico-vos, meus irmãos, não cometais este crime.
Ouvi: tenho duas filhas que são ainda virgens, eu vo-las trarei, e fazei delas o que quiserdes. Mas não façais nada a estes homens, porque se acolheram à sombra do meu teto."
Eles responderam: "Retira-te daí! - e acrescentaram: Eis um indivíduo que não passa de um estrangeiro no meio de nós e se arvora em juiz! Pois bem, verás como te havemos de tratar pior do que a eles." E, empurrando Ló com violência, avançaram para quebrar a porta.
Mas os dois {viajantes} estenderam a mão e, tomando Ló para dentro de casa, fecharam de novo a porta.
E feriram de cegueira os homens que estavam fora, jovens e velhos, que se esforçavam em vão por reencontrar a porta.
Os dois homens disseram a Ló: "Tens ainda aqui alguns dos teus? Genros, ou filhos, ou filhas, todos os que são teus parentes na cidade, faze-os sair deste lugar,
porque vamos destruir este lugar, visto que o clamor que se eleva dos seus habitantes é enorme diante do Senhor, o qual nos enviou para exterminá-los."
Saiu Ló, pois, para falar a seus genros, que tinham desposado suas filhas: "Levantai-vos, disse-lhes, saí daqui, porque o Senhor vai destruir a cidade." Mas seus genros julgaram que ele gracejava.
Ao amanhecer, os anjos instavam com Ló, dizendo: "Levanta-te, toma tua mulher e tuas duas filhas que estão em tua casa, para que não pereças também no castigo da cidade."
E, como ele demorasse, aqueles homens tomaram pela mão a ele, a sua mulher e as suas duas filhas, porque o Senhor queria salvá-los, e o levaram para fora da cidade.
Quando já estavam fora, um dos anjos disse-lhe: "Salva-te, se queres conservar tua vida. Não olhes para trás, e não te detenhas em parte alguma da planície; mas foge para a montanha senão perecerás."
Ló disse-lhes: "Oh, não, Senhor!
Já que vosso servo encontrou graça diante de vós, e usastes comigo de grande bondade, conservando-me a vida, vede, eu não me posso salvar na montanha, porque o flagelo me atingiria antes, e eu morreria.
Eis uma cidade bem perto onde posso abrigar-me. É uma cidade pequena e eu poderei refugiar-me nela. Permiti que o faça - ela é pequena - e terei a vida salva."
Ele disse-lhe: "Concedo-te ainda esta graça: não destruirei a cidade a favor da qual me pedes.
Apressa-te e refugia-te lá porque nada posso fazer antes que lá tenhas chegado." Por isso, puseram àquela cidade o nome de Segor.
O sol levantava-se sobre a terra quando Ló entrou em Segor.
O Senhor fez então cair sobre Sodoma e Gomorra uma chuva de enxofre e de fogo, vinda do Senhor, do céu.
E destruiu essas cidades e toda a planície, assim como todos os habitantes das cidades e a vegetação do solo.
A mulher de Ló, tendo olhado para trás, transformou-se numa coluna de sal.
Abraão levantou-se muito cedo e foi ao lugar onde tinha estado antes com o Senhor.
Voltando os olhos para o lado de Sodoma e Gomorra e sobre toda a extensão da planície, viu subir da terra um fumo espesso como a fumaça de uma grande fornalha.
Quando Deus destruiu as cidades da planície, lembrou-se de Abraão e livrou Ló do flagelo com que destruiu as cidades onde ele habitava.
Ló partiu de Segor e veio estabelecer-se na montanha com suas duas filhas, pois temia ficar em Segor. E habitava numa caverna com suas duas filhas.
A mais velha disse à mais nova: "Nosso pai está velho, e não há homem algum na região com quem nos possamos unir, segundo o costume universal.
Vem, embriaguemos nosso pai e durmamos com ele, para que possamos nos assegurar uma posteridade."
Elas fizeram, pois, o seu pai beber vinho naquela noite. Então a mais velha entrou e dormiu com ele; ele, porém, nada notou, nem quando ela se aproximou dele, nem quando se levantou.
No dia seguinte, disse ela à sua irmã mais nova: "Dormi ontem com meu pai, façamo-lo beber vinho ainda uma vez, esta noite, e dormirás com ele para nos assegurarmos uma posteridade."
Também naquela noite embriagaram seu pai, e a mais nova dormiu com ele, sem que ele o percebesse, nem quando ela se aproximou, nem quando se levantou.
Assim, as duas filhas de Ló conceberam de seu pai.
A mais velha deu à luz um filho, ao qual pôs o nome de Moab: este é o pai dos moabitas, que vivem ainda hoje.
A mais nova teve também um filho, ao qual chamou Ben-Ami: este é o pai dos amonitas, que vivem ainda hoje. 

Ló é um personagem bíblico que deve fugir com sua família e largar tudo para traz a caminho do desconhecido, ou para o radicalmente novo e sem carregar absolutamente nada, e como já sabemos, sua esposa não consegui completar esta transição tornando-se assim uma estátua de sal.

No caso da esposa de Ló ter se transformado em uma estátua de sal (ou conservada em sal), quer nos dizer que ela não estava disposta a largar tudo para traz e seguir na direção do incerto e da novidade absoluta. A isto, nos dias de hoje, rotulamos de pessoa conservadora, aquelas que não gostam, ou tem medo de mudanças.

Nesta história existem muitas divisões e incertezas: suas duas filhas se separam dos futuros maridos, Ló é separado de sua esposa e os três se separam da antiga sociedade que viviam.

Sodoma e Gomorra são duas grandes comunidades que representam a situação (poder) e a injustiça, isso em todos os seus níveis, Ló e sua esposa, suas filhas e seus dois genros também são comunidades pequenas, inexpressivas que estão  internamente divididas.

O gesto praticado pelas duas filhas de Ló, que sugere uma relação incestuosa, o qual olhando para cada personagem como uma comunidade, passa a ser vista como um tipo de miscigenação destas comunidades em prol da continuidade da comunidade de Ló. Olhar para estes personagens com este entendimento fica mais esclarecido quando entram em cena os filhos (netos) de Ló: Moabe e Bem-Ami, que estão relacionados a formação de dois povos, os moabitas e os amonitas.

Lendo esta passagem ela sugere uma transgressão da Lei, por parte das filhas de Ló, mesmo quando as enxergamos como comunidades, pois, para os antigos a miscigenação religiosa não era vista com bons olhos, porque o Deus hebreu apenas a eles pertencia. Mas Jesus, Moisés e o profeta Samuel, também nos mostraram que é permitido transgredir a Lei Divina, desde que seja por uma causa justa: dizia Jesus: “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado” (Marcos 2, 27), e inclusive chama de hipócritas as pessoas que não entendem isso; a carta de divórcio que Moisés instituiu também não era a vontade de Deus e sim a necessidade humana. Deus não aprova o sistema monárquico, foi o povo que assim o desejou, pois, antes disso o monarca do povo era Deus e quem o representava era um profeta (1 Samuel 8, 4 – 10).

Toda comunidade representa uma ideia, ou um conjunto delas, no caso de Sodoma e Gomorra não é Deus quem as destrói, pois, toda falsa ideia de Deus é autodestrutiva. O mesmo aconteceu a todos os impérios, o motivo é sempre o mesmo: “injustiça”, todos caíram e é certo que o atual também cairá. Somente as ideias realmente justas sobrevivem para sempre. A queda das Torres Gemias foi uma resposta à injustiça que acontece no ganancioso Capitalismo e não é preciso ser um profeta para saber que acontecerá novamente.

Dadas as devidas proporções muitas vezes passamos por situações semelhantes as que Ló passou, por fatores externos e internos à nossa vontade, e para citar apenas um destes exemplos podemos pegar nossas experiências profissionais: Algumas vezes somos demitidos, outras vezes pedimos demissão ou temos vontade de pedi-la mas não conseguimos, porém, em todas estas situações, muitos de nós, ficam aterrorizados pelos conflitos que nossas inseguranças, e dúvidas causam em nosso interior. Principalmente quando se é um pai ou mãe porque isso afeta todos a nossa volta.

Em um modelo mais amplo podemos ver hoje o quanto nossos sistemas: político, educacional, econômico, entre outros, estão contaminados e corrompidos mas, nos mantemos presos a estes modelos. Continuamos votando nos mesmos na esperança de que o novo brote do antigo, quando no máximo o que pode acontecer é ressurgir o velho travestido de novo e a mesma podridão se repete.

Nos nossos atuais modelos religiosos sempre se percebe a falta de fé, justo destes que neste quesito deveriam ser nossos exemplos. O que se percebe é um medo aterrorizante que estas instituições tem de mudanças, medo de perder o controle e por consequência perder o fétido “poder” que os circundam. Esta passagem quer dizer a estes que: suas ideias de modelo de sociedade estão fadadas a um vergonhoso fracasso, pois, estão cegos e podemos perceber isso claramente no texto: ”E feriram de cegueira os homens que estavam fora, jovens e velhos, que se esforçavam em vão por reencontrar a porta.”. (19, 11)

Nesta significativa passagem está contido um recado para todos nós, ela ilustra uma terrível realidade de injustiça e ela nos diz que: Mesmo no meio de tanta injustiça sempre existe uma pequena mexa de esperança. Nos dias de hoje ainda podemos perceber que, este é o rumo de nosso atual modelo de sociedade, e Deus só o permite a sua existência porque em algum lugar ainda encontrasse um “Ló”.

Os caminhos de Deus nunca são fáceis, mas eles sempre estão repletos de perdão, amor, compaixão e solidariedade. Devemos também aplicar em nossas vidas estes ensinamentos, devemos aprender a necessidades urgente de perdoar os nossos próprios erros para que possamos continuar vivos, e não ficarmos constantemente olhando os nossos erros passados, isso para que não nos transformemos em uma insossa estátua de sal.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Do pó ao pó – Gênesis 3, 19 e Eclesiastes 3, 20

A fragilidade da Carne 1999
45 x 25 cm - Óleo sobre tela colado em madeira.
Livro: Araujo Pinturas Antigo e Novo Testamento - Pag 67


“Com o suor do teu rosto comerás teu pão, até que te tornes ao solo. Pois dele foste tirado. Pois tu és pó e ao pó tornarás.” Gênesis 3, 19

“Tudo caminha para um mesmo lugar; tudo vem do pó e tudo volta ao pó.” Eclesiastes 3, 20

A Bíblia tem se mostrado um livro atual, a Palavra lá escrita é atemporal, ela foi dita aos patriarcas, aos profetas e também hoje é dita para nós.
As ciências mais modernas dos dias de hoje nos diz o quanto o nosso universo material é também espiritual. É uma nova visão de inúmeras dimensões e infinitas possibilidades.  
A Bíblia já nos dizia que Viemos do pó e segundo as ciências esta alegação bíblica está corretíssima, pois, somos pó de estrela, alias, tudo o que vemos no universo o é!
Nos dias de hoje alguns cientistas alegam que o universo é plano, e não redondo como o vemos, eles alegam que: o que nos da essa falsa impressão é o espaço-tempo, ele sim é que é curvo.
Seguindo a mesma linha, em uma outra afirmação menciona a existência de universos paralelos próximos de nós, e que eles estão a uma distância de um ou menos átomo de nós. Para se ter uma ideia melhor do que isso quer dizer: no espaço de um único milímetro cabem 10.000.000 (dez milhões) de átomos alinhados em fila única. 
Ainda outros afirmam que a matéria, quando está sendo observada é matéria e quando não está é onda – nós somos matéria.
Uma das ideias mais aceitas entre os cientistas é que: o espaço-tempo, toda matéria e inclusive os átomos,  passaram a existir logo após o “big bang”, nem o átomo nem a matéria, como os conhecemos existiam antes deste momento primordial.
A ultima teoria é a existência das, matéria-escura e força-escura. Uma das forças que regem o universo é a gravidade e recentemente os cientistas perceberam que só isso não resolvia um problema que, pelo fato do universo continuar crescendo a uma velocidade superior a da luz, e de que ele não vai encolher novamente, tinha que haver alguma outra força contínua que o impulsionasse, a isso deram o nome de força-escura. Disso tudo surge uma afirmação de que, no momento que esta força-escura superar a força que unem os elétrons dos seus respectivos núcleos tudo será desfeito será o fim de tudo que conhecemos mas não o que somos, pois, também somos espírito (isso me lembra o arrebatamento).
Isso tudo é muito louco e só quem entende de física-quântica é que poderia explicar melhor. Mas não nos desesperemos e nem nos escandalizemos, pois, por tudo isso ainda ser muito novo eles mesmos não entendem muito bem. Vivemos em uma dimensão e esta nos proporciona experiências que ilustram todo nosso conhecimento, e quando tentamos enxergar alguma coisa fora desta realidade fica muito difícil entender mesmo.
As verdades científicas sempre são temporárias, pois, elas são tidas como verdades até acontecer algo novo e mais aceito no respectivo momento histórico. Isso é muito importante porque desta forma o conhecimento nunca se esgota e desta forma tudo evolui, ou em linguagem teológica: “se revela”.
Particularmente gosto destas elucubrações, elas sempre nos chamam a refletir sobre a Criação do Universo nas mãos de Deus e quão grande é o nosso Criador.
Na Bíblia está escrito que: no princípio era o nada. Isso seria o mesmo que dizer que Deus Cria a partir do NADA. Para Criar tudo que conhecemos e somos, Deus não se utiliza de coisas pré-existentes, se assim o fosse Ele não seria Criador, e sim misturador, alquimista, ou qualquer coisa parecida.
Agora imagine: até a nossa dimensão foi criada, e todo o conhecimento da humanidade só poderia chegar, em teoria, ao instante “zero” do “big bang” e não é possível ir além disso.
Deus está em uma dimensão diferente da nossa, além do espaço-tempo. Então quando encontramos na Bíblia a frase: “do pó ao pó”, supõe-se que Deus, semelhante a um oleiro, nos manuseou  e se viemos das divinas mãos de Deus, em algum instante estivemos em sua dimensão. Então viemos do sempre que não é o nosso sempre, pois, “sempre” é definição de tempo, assim, a palavra mais adequada que me ocorre seria “agora”.
Não somos apenas “pó” ou “pó de estrela,” somos também espírito, fruto do sopro divino que nos dá a vida, então a alegação “do pó ao pó”,  pode ser entendida como: “das Mãos às Mãos”. É o que está escrito em Gênesis. O Senhor Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente”. (2, 7)
Algumas linhas teológicas podem até se sentirem desconfortáveis com todas estas ideias quânticas, no entanto, todas estas alegações nos prestam verdadeiras contribuições na revelação de Deus. Assim como Darwin lançou uma nova luz para o conhecimento humano, o olhar quântico também nos convida a ampliar mais uma vez nossa visão e percepção do todo, ele também nos oferece uma nova lente para enxergarmos este caminho do conhecimento de Deus.
Tudo o nosso conhecimento evolui, e seguindo esta mesma linha devemos evoluir o conhecimento de Deus. Isso não são minhas palavras mas, são palavras da própria Bíblia:


Então entenderás o temor do Senhor e encontrarás o conhecimento de Deus.” Provérbios 2, 5;


“Porque é amor que eu quero e não sacrifício, conhecimento de Deus, mais do que holocaustos.”. Oséias 6, 6;


“Assim andareis de maneira digna do Senhor, fazendo tudo o que é do seu agrado, dando frutos em boas obras e crescendo no conhecimento de Deus.” Colossenses 1, 10

Hoje, uma nova visão nos está sendo oferecida, ela mostra um Universo mais orgânico, diferente do modelo mecânico onde tudo funcionava com frias engrenagens, semelhante a um relógio. Nesta visão orgânica tudo que se faz, pelo bem ou pelo mal, afeta todo o cosmos. Uma célula que não faz a sua parte em um organismo afeta a si mesma e consequentemente afeta todo o resto. Segundo a visão quântica, tudo está conectado e isso também não deveria ser novidade alguma, na bíblia Paulo diz: “Com efeito, o corpo é um e, não obstante, tem muitos membros, mas todos os membros do corpo, apesar de serem muitos, formam um só corpo....” 1 Coríntios 12, 12.
Fazer deste mundo um lugar melhor não é pedir muito, qualquer gesto na direção certa conta e para sanarmos as doenças do o atual organismo serão necessários medicamentos bem amargos mas, teria que ser feito da maneira correta, com muito amor, paciência e compaixão.
Apenas acabar com as corrupções não é de grande valia, temos que aprender com ela para não cairmos no mesmo buraco novamente. Costumo dizer para as minhas filhas: “Alguns cursos são muito caros e temos que aprender em uma única lição, afim de não recairmos no mesmo erro novamente”.
Todo este conhecimento nos apresenta uma nova e ampla visão, que nos mostra um caminho para transformar este mundo em um mundo melhor. E neste novo mundo o imperialismo, a tirania e a corrupção não podem encontrar morada, estes três demônios podem e devem ser exorcizados.

Do pó ao pó, das mão às mãos, quando chegar a hora do  retorno ao seio do divino Pai, que ela seja cheia de frutos maduros e que o fruto mais doce entre eles seja você mesmo. Você consegue enxergar este momento???

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Bodas de Caná ou Núpcias de Caná (João 2, 1 – 12)


Título: "O início dos sinais"
Ano de execução: 2000-2004
Dimensões: 210 x 320 cm
Técnica: Óleo sobre tela colada em madeira


Esta é uma festa mas, não é uma festa qualquer, pois, aqui se celebra a vida e Vida Plena. Todos os discípulos de Jesus estão convidados e é garantido que o Vinho não vai faltar, nem Cordeiro e nem Pão.
Este texto de João é, complexos, cheios de símbolos, personagens e mergulhos profundos envoltos em mistérios, que por sua amplitude, nos esperam para serem revelados e isso não sessa nunca.
Para assim refletirmos devemos lê-lo lentamente em sua integra com total atenção em seus detalhes, mantendo em mente que: a Bíblia é palavra viva de Deus.



Título: "Jesus e Maria em Caná da Galiléia"
Ano de execução: 2000-2004
Dimensões: 210 x 240 cm
Técnica: Óleo sobre tela colada em madeira
(2, 1 - 12) - No terceiro dia, houve um casamento em Caná da Galiléia e a mãe de Jesus estava lá. Jesus foi convidado para o casamento e os seus discípulos também. Ora, não havia mais vinho, pois o vinho do casamento havia acabado. Então a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não tem mais vinho”. Respondeu-lhe Jesus: “Que queres de mim, mulher? Minha hora ainda não chegou”. Sua mãe disse aos serventes: “Fazei tudo o que Ele vos disser.”
Havia ali seis talhas de pedra para a purificação dos judeus, cada uma contendo de duas a três medidas. Jesus lhes disse: “Enchei as talhas de água”. Eles as encheram até à borda. Então lhes disse: “Tirai agora e levai ao mestre-sala”. Eles levaram. Quando o mestre-sala provou a água transformada em vinho – ele não sabia de onde vinha, mas o sabiam os serventes que haviam retirado a água – chamou o noivo e lhe disse: “Todo homem serve primeiro o vinho bom e, quando os convidados já estão embriagados serve o inferior. Tu guardaste o vinho bom até agora!”. Esse princípio dos sinais, Jesus o fez em Caná da Galiléia e manifestou a sua Glória e os seus discípulos creram nele. Depois disso, desceram a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãos e seus discípulos, e ali ficaram apenas alguns dias.

O texto tem seu início nos colocando no ”terceiro dia” , dia da ressurreição de Jesus. João faz muito isso, alguns teólogos afirmam que todo o Evangelho de João gira em torno da crucificação e ressurreição de Jesus - inclusive este que vos escreve.
Pode-se dizer que Maria é a primeira serva deste novo tempo e também que ela é a serva mais experiente quando o assunto é Jesus e por isso diz aos serventes desta festa: “Fazei tudo o que Ele vos disser.”, muito semelhante a sua prontidão, como servente, ao assumir a sua missão: “Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra.” (Lucas 1, 38), e assim se torna a primeira serva.
Em uma festa, quem deveria informar que acabou o vinho seria o mestre-sala, palavra que significa: o empregado do casal real, e quem está fazendo este papel é Maria, e assim podermos entender que Maria é o(a) mestre-sala.
Deus não faz acepção de pessoas e aqui Maria está presente como serva, com toda humildade que este papel requer, é por isso que Jesus, de uma forma que muitos entendem como ríspida, diz: “Que queres de mim, mulher?”, é desta forma que Maria se coloca diante de Deus, como Serva e Mulher.
O proceder de Maria diante de Deus sempre foi corretíssimo, e é a serva Maria que ensina este proceder aos outros serventes quando diz: “Fazei tudo o que Ele vos disser.”, e quem tem que fazer tudo que Jesus disser são os discípulos, portanto, eles são os serventes desta festa.
Continuando na linha das transformações, naquele tempo o responsável pelo vinho era o noivo, e quem está providenciando isso é Jesus, então podemos entender que Ele é o noivo. E não há nada de errado em assim considerar, pois, a teologia não tem compromisso com o fato, além disso em muitos momentos no Antigo Testamento Deus se põe como Noivo, e sua noiva é Israel (sua infiel esposa), o mesmo se aplica na Aliança de Deus com a humanidade, isso também pode ser considerado um noivado.
Os elementos, água e vinho também tem sua participação nesta festa, para o povo judeu a água simboliza a vida, e não é atoa, para quem vive em uma região tão seca não é difícil entender o motivo. Além disso aqui está a água (vida) que será transformada em vinho, que simboliza a vida plena, vida sem morte. Estes elementos tem um vinculo teológico muito forte ao longo da história do provo de judeu.
Quando o povo judeu é liberto da escravidão, imposta pelo Faraó do Egito, Deus determina que, o sangue de um cordeiro deveria ser aspergido nas portas e soleiras, para que o Anjo da Morte não entre naquela casa (Êxodo 12, 13 e 13, 15). Aqui no texto de João, ele quer mostrar que em Jesus está a Nova e eterna Aliança, o sangue de Jesus, o Cordeiro de Deus, será derramado e a morte será definitivamente vencida, é o próprio Jesus quem diz: “... Isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que por muitos é derramado.” Marcos (14, 24).
O comentário do mestre-sala tem a ver com a pedagogia de Deus ser inversa a dos homens: “Todo homem serve primeiro o vinho bom e, quando os convidados já estão embriagados serve o inferior. Tu guardaste o vinho bom até agora!”, Deus sempre reserva o melhor, o advir nos reserva a Vitória, o melhor da Festa.
Por tudo isso, cada um de nós tem a honra de receber este convite, para participar da grande celebração da Plenitude da Vida, como discípulo e servo, deixe-se transformar e assim transformar tudo a sua volta. Afinal a morte foi vencida para você e por você.
O convite que você está recebendo tem o endereço e como chegar lá. É em Caná da Galileia e o Caminho é Jesus.
Não esqueça de confirmar a sua presença.
R.S.V.P.



quinta-feira, 2 de junho de 2011

O Rico Notável e O Perigo das Riquezas. (Lucas 18, 18 – 27)

"Moisés o guardião das Tábuas da Lei"



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Alguns momentos em nossas vidas são marcados por frases, que muitas vezes são ditas sem muitas pretensões por uma pessoa qualquer. Em minha vida uma que me marcou foi dita por meu amigo, Pe Humberto Jair Dinato, naquela ocasião ele me parecia frustrado com a comunidade, quando me disse: ”Eu tenho um Jesus para apresentar para as pessoas...”. Foi ai que eu entendi que Jesus pode ser apresentado de muitas formas e muitas delas não são verdadeiras.
O desejo de conhecer Deus sempre esteve presente em todas as culturas, e por isso hoje existe tanta diversidade deste pensar, porém, tratasse invariavelmente do mesmo Deus. Até ai tudo bem, pois, o que realmente importa é que esse conhecimento amadureça e progrida em verdade, amor e justiça, se não for nestes termos pegamos o caminho errado mas, sempre poderemos corrigir este caminho.
É nesta abordagem que o dialogo de Jesus com um jovem muito rico irá se desenrolar na passagem seguinte, para acompanhar melhor a reflexão, sugiro que cada um se questione: Quem é o meu Deus?
Certo homem de posição lhe perguntou: “Bom Mestre, que eu devo fazer para herdar a vida eterna?” Jesus respondeu: “Por que me chamas bom?” Ninguém é bom, senão só Deus! Conheces os mandamentos: Não cometas adultério, não mates, não roubes, não levantes falso testemunho; honra teu pai e tua mãe”. Ele disse: “Tudo isso tenho guardado desde a minha juventude”. Ouvindo, Jesus disse-lhe: “Uma coisa te falta. Vende tudo o que tens, distribui aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois vem e segue-me”. Ele, porém, ouvindo isso, ficou cheio de tristeza, pois era muito rico.
Vendo-o assim, Jesus disse: “Como é difícil aos que tem riquezas entrar no Reino de Deus! Com efeito, é mais fácil o camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que o rico entrar no Reino de Deus! Os ouvintes disseram: “Mas então, quem poderá salvar-se? Jesus respondeu: “As coisas impossíveis aos homens são possíveis a Deus”. (18, 18 – 27)
Ainda nos tempos de Jesus acreditava-se que: a pessoa era rica pela Graça de Deus, e estar doente era porque a pessoa pecou ou algum antepassado o havia feito. Esta era uma reflexão fraca de uma teologia de igual “grandeza”.
Este jovem rico chama Jesus de “Bom Mestre”, e Jesus diz que: “só Deus é Bom.”. É muito comum entendermos que Jesus está se referindo a Deus Pai mas, Jesus sabe que o Pai está nele e Ele está no Pai. Então o que está em questão aqui é: Quem é o deus deste jovem? Vejamos: Este homem segue as Leis de Deus, mas adora o deus dinheiro, tanto é que ele não consegue se livrar dele. Então podemos entender que Jesus está dizendo para ele: Largue o teu deus adorado, que não é bom, e me siga, pois, Jesus é Deus e também é o Caminho.
Quando aquelas pessoas que estão ali olhando para aquele jovem rico que cumpria todos os preceitos de Deus - e ele realmente os cumpria - ficamos com a pergunta: Onde está o problema? E o problema está no mandamento: “Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças” (Deuteronômio 6, 5), aquele jovem também o cumpria, senão Jesus ô haveria desmentido. A questão aqui é: Quem é o Deus daquele jovem, e ele o amava muito, a ponto de não conseguir se livrar dele. Também está escrito na Bíblia: ” Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. (Mateus 6, 21)
Muitos substituem Deus pelo deus dinheiro, ou outro deus qualquer que traga uma falsa sensação de “poder”, entre estes estão, inclusive nossas instituições religiosas que, de uma forma ou de outra todas estão contaminadas por alguém, de uma forma ou de outra sempre tem alguém que venera o “deus dinheiro”, algumas vezes até sem perceber. Dão o nome de, Jesus, Maomé, Jeová, entre outros, porém, alguns são cultuadores viciados no “deus poder”, “deus dinheiro” e assim por diante.
Outra questão é a do camelo passar pelo buraco da agulha, muitos estudiosos dizem que, Jesus está se referindo às pequenas passagens nas muralhas às quais tinham o nome de agulha, onde os camelos tinham que serem descarregados e o animal tinha que passar agachado. Esta é uma forma de entender mas, eu não concordo com ela, porque isso não é impossível de acontecer e os ouvintes que ali estavam não teriam ficado tão inconformados, conforme está no texto.
Gosto mais de um outro estudo que afirma que havia uma corda de nome “camelo” e Jesus estaria se referindo a passar esta corda pelo buraco de uma agulha. Igualmente impossível mas, um pouco mais coerente ao dialogo. 
Ao longo do caminhar da humanidade surgiram oportunistas que, desejosos de poder distorcem estes ensinamentos, a figura de Salomão é um destes exemplos mas, o Salomão histórico e não o Salomão bíblico: Historicamente ele mata o seu irmão para ficar com o trono, além disso ele defendeu que Deus era pela monarquia, quando na verdade Deus sempre foi pelo igualitarismo. A fim de afirmar a sua posição soberana junto ao povo. Para assim entendermos basta observar os textos bíblicos. Ex: O rei hebreu era uma pessoa escolhida por Deus no meio do povo, então por que derrepente o eleito passou a ser o filho de Davi e assim sucessivamente? Existem muitos outros exemplos de distorção da Lei de Deus que duram até os dias de hoje, outra bem clara está entre dois dos mandamentos onde diz: “Não cometeras adultério” e “Não cobiçarás a mulher do próximo”, muitos entendem que estes mandamentos estão dizendo a mesma coisa, e eles não estão. O mandamento que diz: “Não cometeras adultério”, seria o mesmo que dizer: Não adulteraras as Leis de Deus.
O conhecimento de Deus é como um Caminhar em sua divina direção, muitas vezes temos que corrigir o Caminho mas, o que importa mesmo é continuar Caminhando sempre tendo em vista as propriedades divinas: justiça, misericórdia, verdade, e amor paterno (ou materno). Durante esta Caminhada temos que aprender e ensinar, parar não é opção, pois, Deus é também infinito mistério. Outra observação muito importante é que, cada pessoa em seu coração, deve fazer a sua Caminhada conforme o seu entendimento. Jesus não ameaça com o inferno o jovem rico, muito pelo contrário, Jesus vai dizer: “As coisas impossíveis aos homens são possíveis a Deus”.
Parte da injustiça que acontece em nosso meio tem sua fonte em nossa ignorância. O verdadeiro Deus convida cada um de nós a segui-lo e a conhecê-lo e para tanto temos que aprender algumas características suas e mantê-las em mente:
Deus é misericórdia infinita – somos nós mesmos que nos condenamos;
Deus é Pai e não é um carrasco – lembre-se da oração do Pai Nosso;
Ele é sabedoria infinita – e por ser um Pai sábio ele não precisa castigar ninguém;
Temor a Deus é igual a respeito a Deus – não é para tremermos de medo;
O amor de Deus é grátis (ágape), assim como a vida que nos foi dada - não importa o quanto façamos em nome Dele, sempre seremos servos inúteis que não fizemos nada além de nossas obrigações;
Deus é Pai – também dos nossos inimigos, isso se ele for um ser humano;
Os verdadeiros demônios (inimigos) são: doenças, injustiça, ignorância, miséria, violência, dor, entre outros. – estes devem ser exorcizados, aproveite para ler os salmos com está visão;
Quando quisermos conhecer a Deus, devemos buscá-lo em Jesus, leia as suas palavras, Ele tenta nos apresentar a sua face o tempo todo;
Deus não é propriedade de uma religião. – a religião não nos salva, quem nos salva é Deus.
E por ultimo, DEUS É AMOR – o amor cria, o amor protege, o amor cura, o amor Salva.
O perdão é uma propriedade divina, peguemos a nossa parte divina, que por sermos filhos também possuímos, e comecemos a praticar, isso é imperativo e urgente.

“Ninguém pode servir a dois senhores. Com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará ao primeiro  e desprezará o segundo. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.” -  Mateus 6, 24.

Quadro de Carlos Araujo - Título: "Moisés o guardião das Tábuas da Lei" 
175 x 151 cm - Óleo sobre tela colada em madeira
"ARAUJO - Pinturas do Antigo e Novo Testamento" (página 204)