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sexta-feira, 14 de maio de 2010

O menino endemoninhado Marcos (9, 14 – 29).

Não é minha intenção fechar questão sobre essa passagem tão inquietante e complexa, nenhum teólogo tem competência para isso, pretendo sim acrescentar a este momento uma nova reflexão, ou acrescentar elementos para que você faça sua própria reflexão. As minúcias são muitas mas, vá até o fim, pois, acredito que você irá se surpreender com o resultado.

A dúvida sobre esta passagem veio de algumas alunas de Mauá que me perguntaram se eu havia pesquisado algo sobre a passagem em questão. A estas eu respondi que: havia lido mas, sem me aprofundar.

Esta é realmente uma passagem perturbadora onde, um pai entrega o seu filho único que é perseguido de morte por demônios e por isto necessita da auxilio dos discípulos de Jesus, que estão atônicos por não compreenderem o por que não conseguem livrá-lo deste demônio.

Marcos (9, 14 – 29) O endemoninhado epilético”. “E chegando junto aos outros discípulos, viram uma grande multidão em torno deles e os escribas discutindo com eles. E logo que toda a multidão o viu, ficou admirada e correu para saudá-lo. Ele perguntou-lhes: “Que discutíeis com eles?” Alguém da multidão respondeu: “Mestre, eu te trouxe meu filho que tem um espírito mudo. Quando ele o toma, atira-o pelo chão. E ele espuma, range os dentes e fica rígido. Pedi aos teus discípulos que o expulsassem, mas não conseguiram”. Ele, porém, respondeu: “Ó geração incrédula! Até quando estarei convosco? Até quando vos suportarei? Trazei-o a mim”. Levaram-no até Ele. O espírito vendo a Jesus imediatamente agitou com violência o menino que, caindo por terra rolava espumando. Jesus perguntou ao pai: “Há quanto tempo lhe sucede isto?” – Desde pequeno, respondeu; e muitas vezes o atira ao fogo ou na água para faze-lo morrer. Mas se tu podes, ajuda-nos, tem compaixão de nós”. Então Jesus lhe disse: “Se tu podes! ...Tudo é possível àquele que crê!” Imediatamente o pai do menino gritou: “Eu creio! Ajuda a minha incredulidade!” Vendo Jesus que a multidão afluía, conjurou severamente o espírito impuro, dizendo-lhe: “Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: deixa-o e nunca mais entre nele!” E, gritando e agitando-o violentamente, saiu. E o menino ficou como se estivesse morto, de modo que muitos diziam que ele morrera. Jesus, porém, tomando-o pela mão ergueu-o, e ele se levantou. Ao chegar em casa perguntou-lhe seus discípulos, a sós: “Por que não puderam expulsá-lo?” Ele respondeu:“Essa espécie não pode sair a não ser com oração e jejum”.

As questões aqui são muitas: Quem é este menino? O texto somente quer mostrar que Jesus tem poder sobre o demônio? Quem é ou quem são os demônios surdos e mudos? Por que joga o menino na água e no fogo? Por que os discípulos não puderam expulsar este demônio? Quem é o pai do menino?

Em Matheus (17, 15): o pai do menino o apresenta como lunático e quem o joga pela água e pelo fogo é o próprio menino, em Marcos (9, 17): o pai o apresenta como tendo um espírito mudo e finalmente em Lucas (9, 38): o pai o apresenta como filho único.

Para fazermos uma investigação mais abrangente é necessário verificarmos o que está sendo discutido e para tanto se faz necessário ir além das regras que estabelecem uma perícope, apenas para levantar mais argumentos, afim de ilustrar melhor as afirmações deste levantamento teológico. Então, para responder às perguntas sugeridas neste estudo fica estabelecida a perícope: Matheus (16, 21.17, 21), Marcos (8, 31.9, 29) e Lucas (9, 22-43). Isto por que cada um dos evangelistas nos apresentam um olhar de um angulo diferente do outro e para chegar a uma conclusão teremos que: observar todos eles descrevendo as mesmas situações e cada qual contando sua versão conforme sua percepção. Quero aqui fazer um apanhado de maneira seqüencial, são os mesmos textos e sobre o mesmo assunto nos três Evangelhos sinóticos (semelhantes).

O texto que se segue abrange muito bem o assunto que nos permeará. Mateus (16, 21-23) Primeiro anúncio da paixão – A partir dessa época, Jesus começou a mostrar aos seus discípulos ser necessário que fosse a Jerusalém e sofresse muito por parte dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos escribas, e que fosse morto e ressurgisse ao terceiro dia. Pedro, tomando-o à parte, começou a repreende-lo, dizendo: “Deus não o permita, Senhor! Isso jamais te acontecerá!” Ele, porém, voltando-se para Pedro, disse: “Afasta-te de mim Satanás! Tu me serves de pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas as dos homens!”. Nesta passagem podemos destacar que: Pedro é chamado de Satanás (demônio), por pensar as coisas dos homens e não as de Deus. Jesus destaca também que os acontecimentos que se sucederão são necessários para o Projeto de Deus, seu sofrimento e sua perseguição e morte por parte dos, chefes dos sacerdotes, chefes dos escribas e os anciãos.

O texto da Transfiguração que me parece mais detalhado é o de Lucas, a fim de melhor atingir o objetivo vou transcrevê-lo na integra: Lucas (9, 28 – 36) Transfiguração Mais ou menos oito dias depois dessa palavra, tomando consigo a Pedro, João e Tiago, Ele subiu à montanha para orar. Enquanto orava, o aspecto de seu rosto se alterou, suas vestes tornaram-se de fulgurante brancura. E eis que dois homens conversavam com Ele: eram Moisés e Elias que, aparecendo envoltos em glória, falavam de seu êxodo que se consumaria em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam pesados de sono. Ao despertarem, viram sua glória e os dois homens que estavam com Ele. E quando estes iam se afastando, Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom estarmos aqui; façamos, pois, três tendas, uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”, mas sem saber o que dizia. Ainda falava, quando uma nuvem desceu e os cobriu com sua sombra; e ao entrarem eles na nuvem, os discípulos se atemorizaram. Da nuvem, porém, veio uma voz dizendo: “Este é o meu filho, o Eleito; ouvi-o”. Ao ressoar essa voz, Jesus ficou sozinho. Os discípulos mantiveram silêncio e, naqueles dias, a ninguém contaram coisa alguma do que tinham visto.

Moisés e Elias já estavam lá revestidos de glória assim como Jesus e o assunto em discussão fica bem claro em Lucas (9, 30ss) ‘E eis que dois homens conversavam com Ele: eram Moisés e Elias que, aparecendo envoltos em glória, falavam de seu êxodo que se consumaria em Jerusalém.’. Aqui temos grandes personalidades bíblicas: Moisés, Elias, Jesus e Deus-Pai. Moisés é o representante da Lei, Elias é o representante das Profecias. Toda a Lei, todas as Profecias e todo o Antigo Testamento converge para Jesus de Nazaré, dai a importância de se cumprir o escrito e também os ensinamentos de Jesus. Deus-Pai diz “ouvi-o”? Este “ouvi-o” tem um aspecto muito relevante que é um pedido de Deus-Pai pelo seu Filho. Pedro, Tiago e João estão sendo chamados de surdos, semelhante ao demônio que está no menino, outro fato a ser lembrado é o de Jesus ter chamado o próprio Pedro de Satanás em Mateus (16, 23) Ele, porém, voltando-se para Pedro, disse: ‘Afasta-te de mim Satanás!’.... Então os demônios são: o demônio-incompreensão (discípulos), o demônio-poder (anciãos, escribas, sacerdotes) todos estão surdos para a Palavra, para a Lei e para Jesus.

A pergunta de Jesus ao pai do menino é: “Há quanto tempo lhe sucede isto? e a resposta é: Desde pequeno. Existe aqui uma semelhança com alguns personagens bíblicos que também são perseguidos desde pequenos: José do Egito, Moises, Davi e Jesus; outra semelhança: “o menino é muitas vezes atirado ao fogo ou na água”. Moises quando era um bebe foi colocado na água por sua mãe para escapar da morte. Jesus é batizado na água e em seguida é tentado pelo demônio, e os cordeiros oferecidos para o sacrifício são colocados no fogo, e Jesus é o Cordeiro de Deus; mais uma semelhança: o espírito impuro saiu do menino e o menino ficou como se estivesse morto, não é também semelhante a Jesus na Cruz, todos pensaram que Ele havia morrido e todas as esperanças se acabaram naquele momento.

Quero separar aqui o ultimo momento ou a ultima semelhança, pela sua beleza e seu significado. No texto diz: “Jesus, porém, tomando-o pela mão ergueu-o, e ele se levantou., A semelhança aqui se dá naquilo que não vemos lendo sobre a ressurreição de Jesus, pois, é o próprio Deus-Pai quem toma Jesus pela sua divina mão e o traz à Vida em sua merecida Glória (Louvado seja nosso amado Deus) e no texto diz: “e ele se levantou.”, não seria a mesma coisa que aconteceu com Jesus em sua ascensão, é o próprio Jesus que se eleva a Casa do Pai.

A meu ver está história é uma parábola que ilustra um fato, a história deste menino endemoninhado se assemelha, e muito, a de Jesus, e acredito eu, que é assim que se da a sua Santíssima Ressurreição e Ascensão. E também é assim que se sucederá a nossa. Deus se fez humano, não somente parte mas inteiramente humano, seu nascimento se da a partir de um útero, Ele come, bebe, sente medo, chora e tem necessidades fisiológicas. Então, porque sua morte seria diferente da nossa? É óbvio que Ele inaugura a vida eterna quando vence a morte para todos nós e por isso tem a sua merecida Glória.

Somos realmente a sua imagem em tudo, até na filiação. Não foi Ele mesmo que nos disse: Pai nosso que estais no céu..., somos filhos do mesmo Pai, que tudo pode e que te ama. Porque seria diferente? Afinal Moisés e Elias também estavam envoltos em Glória, no texto da Transfiguração Lucas (9, 28 – 36).