Google Website Translator Gadget

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Do pó ao pó – Gênesis 3, 19 e Eclesiastes 3, 20

A fragilidade da Carne 1999
45 x 25 cm - Óleo sobre tela colado em madeira.
Livro: Araujo Pinturas Antigo e Novo Testamento - Pag 67


“Com o suor do teu rosto comerás teu pão, até que te tornes ao solo. Pois dele foste tirado. Pois tu és pó e ao pó tornarás.” Gênesis 3, 19

“Tudo caminha para um mesmo lugar; tudo vem do pó e tudo volta ao pó.” Eclesiastes 3, 20

A Bíblia tem se mostrado um livro atual, a Palavra lá escrita é atemporal, ela foi dita aos patriarcas, aos profetas e também hoje é dita para nós.
As ciências mais modernas dos dias de hoje nos diz o quanto o nosso universo material é também espiritual. É uma nova visão de inúmeras dimensões e infinitas possibilidades.  
A Bíblia já nos dizia que Viemos do pó e segundo as ciências esta alegação bíblica está corretíssima, pois, somos pó de estrela, alias, tudo o que vemos no universo o é!
Nos dias de hoje alguns cientistas alegam que o universo é plano, e não redondo como o vemos, eles alegam que: o que nos da essa falsa impressão é o espaço-tempo, ele sim é que é curvo.
Seguindo a mesma linha, em uma outra afirmação menciona a existência de universos paralelos próximos de nós, e que eles estão a uma distância de um ou menos átomo de nós. Para se ter uma ideia melhor do que isso quer dizer: no espaço de um único milímetro cabem 10.000.000 (dez milhões) de átomos alinhados em fila única. 
Ainda outros afirmam que a matéria, quando está sendo observada é matéria e quando não está é onda – nós somos matéria.
Uma das ideias mais aceitas entre os cientistas é que: o espaço-tempo, toda matéria e inclusive os átomos,  passaram a existir logo após o “big bang”, nem o átomo nem a matéria, como os conhecemos existiam antes deste momento primordial.
A ultima teoria é a existência das, matéria-escura e força-escura. Uma das forças que regem o universo é a gravidade e recentemente os cientistas perceberam que só isso não resolvia um problema que, pelo fato do universo continuar crescendo a uma velocidade superior a da luz, e de que ele não vai encolher novamente, tinha que haver alguma outra força contínua que o impulsionasse, a isso deram o nome de força-escura. Disso tudo surge uma afirmação de que, no momento que esta força-escura superar a força que unem os elétrons dos seus respectivos núcleos tudo será desfeito será o fim de tudo que conhecemos mas não o que somos, pois, também somos espírito (isso me lembra o arrebatamento).
Isso tudo é muito louco e só quem entende de física-quântica é que poderia explicar melhor. Mas não nos desesperemos e nem nos escandalizemos, pois, por tudo isso ainda ser muito novo eles mesmos não entendem muito bem. Vivemos em uma dimensão e esta nos proporciona experiências que ilustram todo nosso conhecimento, e quando tentamos enxergar alguma coisa fora desta realidade fica muito difícil entender mesmo.
As verdades científicas sempre são temporárias, pois, elas são tidas como verdades até acontecer algo novo e mais aceito no respectivo momento histórico. Isso é muito importante porque desta forma o conhecimento nunca se esgota e desta forma tudo evolui, ou em linguagem teológica: “se revela”.
Particularmente gosto destas elucubrações, elas sempre nos chamam a refletir sobre a Criação do Universo nas mãos de Deus e quão grande é o nosso Criador.
Na Bíblia está escrito que: no princípio era o nada. Isso seria o mesmo que dizer que Deus Cria a partir do NADA. Para Criar tudo que conhecemos e somos, Deus não se utiliza de coisas pré-existentes, se assim o fosse Ele não seria Criador, e sim misturador, alquimista, ou qualquer coisa parecida.
Agora imagine: até a nossa dimensão foi criada, e todo o conhecimento da humanidade só poderia chegar, em teoria, ao instante “zero” do “big bang” e não é possível ir além disso.
Deus está em uma dimensão diferente da nossa, além do espaço-tempo. Então quando encontramos na Bíblia a frase: “do pó ao pó”, supõe-se que Deus, semelhante a um oleiro, nos manuseou  e se viemos das divinas mãos de Deus, em algum instante estivemos em sua dimensão. Então viemos do sempre que não é o nosso sempre, pois, “sempre” é definição de tempo, assim, a palavra mais adequada que me ocorre seria “agora”.
Não somos apenas “pó” ou “pó de estrela,” somos também espírito, fruto do sopro divino que nos dá a vida, então a alegação “do pó ao pó”,  pode ser entendida como: “das Mãos às Mãos”. É o que está escrito em Gênesis. O Senhor Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente”. (2, 7)
Algumas linhas teológicas podem até se sentirem desconfortáveis com todas estas ideias quânticas, no entanto, todas estas alegações nos prestam verdadeiras contribuições na revelação de Deus. Assim como Darwin lançou uma nova luz para o conhecimento humano, o olhar quântico também nos convida a ampliar mais uma vez nossa visão e percepção do todo, ele também nos oferece uma nova lente para enxergarmos este caminho do conhecimento de Deus.
Tudo o nosso conhecimento evolui, e seguindo esta mesma linha devemos evoluir o conhecimento de Deus. Isso não são minhas palavras mas, são palavras da própria Bíblia:


Então entenderás o temor do Senhor e encontrarás o conhecimento de Deus.” Provérbios 2, 5;


“Porque é amor que eu quero e não sacrifício, conhecimento de Deus, mais do que holocaustos.”. Oséias 6, 6;


“Assim andareis de maneira digna do Senhor, fazendo tudo o que é do seu agrado, dando frutos em boas obras e crescendo no conhecimento de Deus.” Colossenses 1, 10

Hoje, uma nova visão nos está sendo oferecida, ela mostra um Universo mais orgânico, diferente do modelo mecânico onde tudo funcionava com frias engrenagens, semelhante a um relógio. Nesta visão orgânica tudo que se faz, pelo bem ou pelo mal, afeta todo o cosmos. Uma célula que não faz a sua parte em um organismo afeta a si mesma e consequentemente afeta todo o resto. Segundo a visão quântica, tudo está conectado e isso também não deveria ser novidade alguma, na bíblia Paulo diz: “Com efeito, o corpo é um e, não obstante, tem muitos membros, mas todos os membros do corpo, apesar de serem muitos, formam um só corpo....” 1 Coríntios 12, 12.
Fazer deste mundo um lugar melhor não é pedir muito, qualquer gesto na direção certa conta e para sanarmos as doenças do o atual organismo serão necessários medicamentos bem amargos mas, teria que ser feito da maneira correta, com muito amor, paciência e compaixão.
Apenas acabar com as corrupções não é de grande valia, temos que aprender com ela para não cairmos no mesmo buraco novamente. Costumo dizer para as minhas filhas: “Alguns cursos são muito caros e temos que aprender em uma única lição, afim de não recairmos no mesmo erro novamente”.
Todo este conhecimento nos apresenta uma nova e ampla visão, que nos mostra um caminho para transformar este mundo em um mundo melhor. E neste novo mundo o imperialismo, a tirania e a corrupção não podem encontrar morada, estes três demônios podem e devem ser exorcizados.

Do pó ao pó, das mão às mãos, quando chegar a hora do  retorno ao seio do divino Pai, que ela seja cheia de frutos maduros e que o fruto mais doce entre eles seja você mesmo. Você consegue enxergar este momento???

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Bodas de Caná ou Núpcias de Caná (João 2, 1 – 12)


Título: "O início dos sinais"
Ano de execução: 2000-2004
Dimensões: 210 x 320 cm
Técnica: Óleo sobre tela colada em madeira


Esta é uma festa mas, não é uma festa qualquer, pois, aqui se celebra a vida e Vida Plena. Todos os discípulos de Jesus estão convidados e é garantido que o Vinho não vai faltar, nem Cordeiro e nem Pão.
Este texto de João é, complexos, cheios de símbolos, personagens e mergulhos profundos envoltos em mistérios, que por sua amplitude, nos esperam para serem revelados e isso não sessa nunca.
Para assim refletirmos devemos lê-lo lentamente em sua integra com total atenção em seus detalhes, mantendo em mente que: a Bíblia é palavra viva de Deus.



Título: "Jesus e Maria em Caná da Galiléia"
Ano de execução: 2000-2004
Dimensões: 210 x 240 cm
Técnica: Óleo sobre tela colada em madeira
(2, 1 - 12) - No terceiro dia, houve um casamento em Caná da Galiléia e a mãe de Jesus estava lá. Jesus foi convidado para o casamento e os seus discípulos também. Ora, não havia mais vinho, pois o vinho do casamento havia acabado. Então a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não tem mais vinho”. Respondeu-lhe Jesus: “Que queres de mim, mulher? Minha hora ainda não chegou”. Sua mãe disse aos serventes: “Fazei tudo o que Ele vos disser.”
Havia ali seis talhas de pedra para a purificação dos judeus, cada uma contendo de duas a três medidas. Jesus lhes disse: “Enchei as talhas de água”. Eles as encheram até à borda. Então lhes disse: “Tirai agora e levai ao mestre-sala”. Eles levaram. Quando o mestre-sala provou a água transformada em vinho – ele não sabia de onde vinha, mas o sabiam os serventes que haviam retirado a água – chamou o noivo e lhe disse: “Todo homem serve primeiro o vinho bom e, quando os convidados já estão embriagados serve o inferior. Tu guardaste o vinho bom até agora!”. Esse princípio dos sinais, Jesus o fez em Caná da Galiléia e manifestou a sua Glória e os seus discípulos creram nele. Depois disso, desceram a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãos e seus discípulos, e ali ficaram apenas alguns dias.

O texto tem seu início nos colocando no ”terceiro dia” , dia da ressurreição de Jesus. João faz muito isso, alguns teólogos afirmam que todo o Evangelho de João gira em torno da crucificação e ressurreição de Jesus - inclusive este que vos escreve.
Pode-se dizer que Maria é a primeira serva deste novo tempo e também que ela é a serva mais experiente quando o assunto é Jesus e por isso diz aos serventes desta festa: “Fazei tudo o que Ele vos disser.”, muito semelhante a sua prontidão, como servente, ao assumir a sua missão: “Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra.” (Lucas 1, 38), e assim se torna a primeira serva.
Em uma festa, quem deveria informar que acabou o vinho seria o mestre-sala, palavra que significa: o empregado do casal real, e quem está fazendo este papel é Maria, e assim podermos entender que Maria é o(a) mestre-sala.
Deus não faz acepção de pessoas e aqui Maria está presente como serva, com toda humildade que este papel requer, é por isso que Jesus, de uma forma que muitos entendem como ríspida, diz: “Que queres de mim, mulher?”, é desta forma que Maria se coloca diante de Deus, como Serva e Mulher.
O proceder de Maria diante de Deus sempre foi corretíssimo, e é a serva Maria que ensina este proceder aos outros serventes quando diz: “Fazei tudo o que Ele vos disser.”, e quem tem que fazer tudo que Jesus disser são os discípulos, portanto, eles são os serventes desta festa.
Continuando na linha das transformações, naquele tempo o responsável pelo vinho era o noivo, e quem está providenciando isso é Jesus, então podemos entender que Ele é o noivo. E não há nada de errado em assim considerar, pois, a teologia não tem compromisso com o fato, além disso em muitos momentos no Antigo Testamento Deus se põe como Noivo, e sua noiva é Israel (sua infiel esposa), o mesmo se aplica na Aliança de Deus com a humanidade, isso também pode ser considerado um noivado.
Os elementos, água e vinho também tem sua participação nesta festa, para o povo judeu a água simboliza a vida, e não é atoa, para quem vive em uma região tão seca não é difícil entender o motivo. Além disso aqui está a água (vida) que será transformada em vinho, que simboliza a vida plena, vida sem morte. Estes elementos tem um vinculo teológico muito forte ao longo da história do provo de judeu.
Quando o povo judeu é liberto da escravidão, imposta pelo Faraó do Egito, Deus determina que, o sangue de um cordeiro deveria ser aspergido nas portas e soleiras, para que o Anjo da Morte não entre naquela casa (Êxodo 12, 13 e 13, 15). Aqui no texto de João, ele quer mostrar que em Jesus está a Nova e eterna Aliança, o sangue de Jesus, o Cordeiro de Deus, será derramado e a morte será definitivamente vencida, é o próprio Jesus quem diz: “... Isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que por muitos é derramado.” Marcos (14, 24).
O comentário do mestre-sala tem a ver com a pedagogia de Deus ser inversa a dos homens: “Todo homem serve primeiro o vinho bom e, quando os convidados já estão embriagados serve o inferior. Tu guardaste o vinho bom até agora!”, Deus sempre reserva o melhor, o advir nos reserva a Vitória, o melhor da Festa.
Por tudo isso, cada um de nós tem a honra de receber este convite, para participar da grande celebração da Plenitude da Vida, como discípulo e servo, deixe-se transformar e assim transformar tudo a sua volta. Afinal a morte foi vencida para você e por você.
O convite que você está recebendo tem o endereço e como chegar lá. É em Caná da Galileia e o Caminho é Jesus.
Não esqueça de confirmar a sua presença.
R.S.V.P.



quinta-feira, 2 de junho de 2011

O Rico Notável e O Perigo das Riquezas. (Lucas 18, 18 – 27)

"Moisés o guardião das Tábuas da Lei"



-->
Alguns momentos em nossas vidas são marcados por frases, que muitas vezes são ditas sem muitas pretensões por uma pessoa qualquer. Em minha vida uma que me marcou foi dita por meu amigo, Pe Humberto Jair Dinato, naquela ocasião ele me parecia frustrado com a comunidade, quando me disse: ”Eu tenho um Jesus para apresentar para as pessoas...”. Foi ai que eu entendi que Jesus pode ser apresentado de muitas formas e muitas delas não são verdadeiras.
O desejo de conhecer Deus sempre esteve presente em todas as culturas, e por isso hoje existe tanta diversidade deste pensar, porém, tratasse invariavelmente do mesmo Deus. Até ai tudo bem, pois, o que realmente importa é que esse conhecimento amadureça e progrida em verdade, amor e justiça, se não for nestes termos pegamos o caminho errado mas, sempre poderemos corrigir este caminho.
É nesta abordagem que o dialogo de Jesus com um jovem muito rico irá se desenrolar na passagem seguinte, para acompanhar melhor a reflexão, sugiro que cada um se questione: Quem é o meu Deus?
Certo homem de posição lhe perguntou: “Bom Mestre, que eu devo fazer para herdar a vida eterna?” Jesus respondeu: “Por que me chamas bom?” Ninguém é bom, senão só Deus! Conheces os mandamentos: Não cometas adultério, não mates, não roubes, não levantes falso testemunho; honra teu pai e tua mãe”. Ele disse: “Tudo isso tenho guardado desde a minha juventude”. Ouvindo, Jesus disse-lhe: “Uma coisa te falta. Vende tudo o que tens, distribui aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois vem e segue-me”. Ele, porém, ouvindo isso, ficou cheio de tristeza, pois era muito rico.
Vendo-o assim, Jesus disse: “Como é difícil aos que tem riquezas entrar no Reino de Deus! Com efeito, é mais fácil o camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que o rico entrar no Reino de Deus! Os ouvintes disseram: “Mas então, quem poderá salvar-se? Jesus respondeu: “As coisas impossíveis aos homens são possíveis a Deus”. (18, 18 – 27)
Ainda nos tempos de Jesus acreditava-se que: a pessoa era rica pela Graça de Deus, e estar doente era porque a pessoa pecou ou algum antepassado o havia feito. Esta era uma reflexão fraca de uma teologia de igual “grandeza”.
Este jovem rico chama Jesus de “Bom Mestre”, e Jesus diz que: “só Deus é Bom.”. É muito comum entendermos que Jesus está se referindo a Deus Pai mas, Jesus sabe que o Pai está nele e Ele está no Pai. Então o que está em questão aqui é: Quem é o deus deste jovem? Vejamos: Este homem segue as Leis de Deus, mas adora o deus dinheiro, tanto é que ele não consegue se livrar dele. Então podemos entender que Jesus está dizendo para ele: Largue o teu deus adorado, que não é bom, e me siga, pois, Jesus é Deus e também é o Caminho.
Quando aquelas pessoas que estão ali olhando para aquele jovem rico que cumpria todos os preceitos de Deus - e ele realmente os cumpria - ficamos com a pergunta: Onde está o problema? E o problema está no mandamento: “Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças” (Deuteronômio 6, 5), aquele jovem também o cumpria, senão Jesus ô haveria desmentido. A questão aqui é: Quem é o Deus daquele jovem, e ele o amava muito, a ponto de não conseguir se livrar dele. Também está escrito na Bíblia: ” Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. (Mateus 6, 21)
Muitos substituem Deus pelo deus dinheiro, ou outro deus qualquer que traga uma falsa sensação de “poder”, entre estes estão, inclusive nossas instituições religiosas que, de uma forma ou de outra todas estão contaminadas por alguém, de uma forma ou de outra sempre tem alguém que venera o “deus dinheiro”, algumas vezes até sem perceber. Dão o nome de, Jesus, Maomé, Jeová, entre outros, porém, alguns são cultuadores viciados no “deus poder”, “deus dinheiro” e assim por diante.
Outra questão é a do camelo passar pelo buraco da agulha, muitos estudiosos dizem que, Jesus está se referindo às pequenas passagens nas muralhas às quais tinham o nome de agulha, onde os camelos tinham que serem descarregados e o animal tinha que passar agachado. Esta é uma forma de entender mas, eu não concordo com ela, porque isso não é impossível de acontecer e os ouvintes que ali estavam não teriam ficado tão inconformados, conforme está no texto.
Gosto mais de um outro estudo que afirma que havia uma corda de nome “camelo” e Jesus estaria se referindo a passar esta corda pelo buraco de uma agulha. Igualmente impossível mas, um pouco mais coerente ao dialogo. 
Ao longo do caminhar da humanidade surgiram oportunistas que, desejosos de poder distorcem estes ensinamentos, a figura de Salomão é um destes exemplos mas, o Salomão histórico e não o Salomão bíblico: Historicamente ele mata o seu irmão para ficar com o trono, além disso ele defendeu que Deus era pela monarquia, quando na verdade Deus sempre foi pelo igualitarismo. A fim de afirmar a sua posição soberana junto ao povo. Para assim entendermos basta observar os textos bíblicos. Ex: O rei hebreu era uma pessoa escolhida por Deus no meio do povo, então por que derrepente o eleito passou a ser o filho de Davi e assim sucessivamente? Existem muitos outros exemplos de distorção da Lei de Deus que duram até os dias de hoje, outra bem clara está entre dois dos mandamentos onde diz: “Não cometeras adultério” e “Não cobiçarás a mulher do próximo”, muitos entendem que estes mandamentos estão dizendo a mesma coisa, e eles não estão. O mandamento que diz: “Não cometeras adultério”, seria o mesmo que dizer: Não adulteraras as Leis de Deus.
O conhecimento de Deus é como um Caminhar em sua divina direção, muitas vezes temos que corrigir o Caminho mas, o que importa mesmo é continuar Caminhando sempre tendo em vista as propriedades divinas: justiça, misericórdia, verdade, e amor paterno (ou materno). Durante esta Caminhada temos que aprender e ensinar, parar não é opção, pois, Deus é também infinito mistério. Outra observação muito importante é que, cada pessoa em seu coração, deve fazer a sua Caminhada conforme o seu entendimento. Jesus não ameaça com o inferno o jovem rico, muito pelo contrário, Jesus vai dizer: “As coisas impossíveis aos homens são possíveis a Deus”.
Parte da injustiça que acontece em nosso meio tem sua fonte em nossa ignorância. O verdadeiro Deus convida cada um de nós a segui-lo e a conhecê-lo e para tanto temos que aprender algumas características suas e mantê-las em mente:
Deus é misericórdia infinita – somos nós mesmos que nos condenamos;
Deus é Pai e não é um carrasco – lembre-se da oração do Pai Nosso;
Ele é sabedoria infinita – e por ser um Pai sábio ele não precisa castigar ninguém;
Temor a Deus é igual a respeito a Deus – não é para tremermos de medo;
O amor de Deus é grátis (ágape), assim como a vida que nos foi dada - não importa o quanto façamos em nome Dele, sempre seremos servos inúteis que não fizemos nada além de nossas obrigações;
Deus é Pai – também dos nossos inimigos, isso se ele for um ser humano;
Os verdadeiros demônios (inimigos) são: doenças, injustiça, ignorância, miséria, violência, dor, entre outros. – estes devem ser exorcizados, aproveite para ler os salmos com está visão;
Quando quisermos conhecer a Deus, devemos buscá-lo em Jesus, leia as suas palavras, Ele tenta nos apresentar a sua face o tempo todo;
Deus não é propriedade de uma religião. – a religião não nos salva, quem nos salva é Deus.
E por ultimo, DEUS É AMOR – o amor cria, o amor protege, o amor cura, o amor Salva.
O perdão é uma propriedade divina, peguemos a nossa parte divina, que por sermos filhos também possuímos, e comecemos a praticar, isso é imperativo e urgente.

“Ninguém pode servir a dois senhores. Com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará ao primeiro  e desprezará o segundo. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.” -  Mateus 6, 24.

Quadro de Carlos Araujo - Título: "Moisés o guardião das Tábuas da Lei" 
175 x 151 cm - Óleo sobre tela colada em madeira
"ARAUJO - Pinturas do Antigo e Novo Testamento" (página 204)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Diálogo com Nicodemos – João 3, 1 – 21.




“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios..”. Salmo 1, 1

Textos escatológicos são sempre complexos, pois, fica difícil por um freio e não entrar nas reflexões especulativas. Quando o assunto é a escatologia, para mim, a única fonte confiável é Jesus, e Ele deixou apenas pistas sobre como é o Céu, nesta reflexão Jesus dirá: Se não credes quando vos falo das coisas da terra, como crereis quando vos falo das coisas do céu?”.
Assim como acontece com Nicodemos, sempre que nos deparamos com esta passagem, ficamos com a pulga atrás da orelha, com a pergunta do próprio Nicodemos:Como pode um homem nascer, sendo velho?”.

É um dialogo muito rico em detalhes e cheio de ensinamentos sobre, vida e morte, terra e céu, onde Jesus questiona o conhecimento religioso dos responsáveis por transmiti-los.
Leia este texto e depois acompanhe a reflexão, ele tem muito a nos ensinar.
João 3, 1 – 21 - Havia entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um notável entre os judeus. À noite ele veio encontrar Jesus e lhe disse: “Rabi, sabemos que vens da parte de Deus como mestre, pois ninguém pode fazer os sinais que fazes, se Deus não estiver com ele”. Jesus lhe respondeu: “Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus”.
Disse lhe Nicodemos: “Como pode um homem nascer, sendo já velho? Poderá entrar segunda vez no seio de sua mãe e nascer?” Respondeu-lhe Jesus: “Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que nasce da carne é carne, o que nasce do Espírito é Espírito. Não te admires de eu te haver dito: deveis nascer de novo.
O vento sopra onde quer e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito”.
Perguntou-lhe Nicodemos: “Como isso pode acontecer? Respondeu-lhe Jesus: “És mestre em Israel e ignoras essas coisas?
Em verdade, em verdade, te digo: falamos do que sabemos e damos testemunho do que vimos, porém,  não acolheis o nosso testemunho. Se não credes quando vos falo das coisas da terra, como crereis quando vos falo das coisas do céu?
Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem.
Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que seja levantado o Filho do Homem, a fim de que todo aquele que crer tenha nele vida eterna.
Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; quem não crê, já está julgado, porque não creu no nome do Filho único de Deus.
Este é o julgamento: a luz veio ao mundo mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas obras eram más.
Pois, quem faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que suas obras não sejam demonstradas como culpáveis.
Mas quem pratica a verdade vem para a luz para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus”.
Nicodemos é um notável entre os fariseus, ou seja, para os judeus ele seria um profundo conhecedor das sagradas escrituras e dos ensinamentos nelas contidos, só que este conhecimento já lhe foi passado de forma adulterada pelos responsáveis em transmiti-lo por entre as gerações. Nicodemos tem consciência e medo disso, pois, é dai que vem o seu medo de ser visto com Jesus e é por isso que ele vem falar com Jesus apenas a noite. E isso também está em discussão nas palavras de Jesus, quando Ele diz: ”Este é o julgamento: a luz veio ao mundo mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas obras eram más. Pois que faz o mal odeia a luz... Mas que pratica a verdade vem para a luz para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus”.
Quando Jesus diz: És mestre em Israel e ignoras essas coisas?, também está dizendo a nós todos que devemos ter nossos critérios para sabermos avaliar o que vem de Deus e o que não vem e nisso incluísse os nossos mestres. Discernir é necessário, uma vida melhor se faz em um mundo melhor e seus elementos básicos são, amor e justiça, precisamos ter critérios para discernir-mos, temos que ter consciência de que Deus é Pai amoroso e que o Caminho que me leva a Ele não tem pedágio, e Deus quer que tenhamos vida em abundancia, é Ele quem diz: “Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.” (Oséias 6, 6).

Outra coisa que devemos ter em mente é que, quando Jesus fala do Reino de Deus, Ele não esta falando apenas de um Reino no Céu, Ele está dizendo do Reino aqui na terra também e isso está em: Lucas 17, 21, Lucas 9, 27.

Para elucidar um pouco mais, podemos olhar outros ensinamentos de Jesus que, em outras palavras, contém os mesmos ensinamentos. No diálogo de Jesus com Nicodemos, quando Ele fala sobre “nascer novamente”, seria o mesmo ensinamento contido em:
Lucas (18, 17) – “Em verdade vos digo, aquele que não receber o Reino de Deus como uma criancinha, não entrará nele.”, aqui Ele está explicando que: não se entra no Reino de Deus como mestre e sim como aprendiz, assim como uma criancinha;
Mateus (18, 4) – “Aquele, portanto, que se tornar pequenino como esta criança , esse é o maior nos Reino dos céus.”;
1 Pedro (2, 2) – “Portanto, rejeitando toda maldade, toda mentira, todas as formas de hipocrisia e de inveja e toda maledicência, desejai, como crianças recém nascidas, o leite não adulterado da palavra, a fim de que por ele cresçais para a salvação, já que provastes que o Senhor é bondoso.”.
Seguindo um pouco mais em frente neste diálogo quando Jesus diz: “Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que nasce da carne é carne, o que nasce do Espírito é Espírito. Não te admires de eu te haver dito: deveis nascer de novo.”. Algumas reflexões diriam que, quando Jesus diz: “..nasce da água..”, Jesus está se referindo ao batismo mas, eu entendo que neste texto Ele se refere ao ventre materno, pois, primeiro ele diz: “..quem não nasce da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus...”, logo em seguida Ele explica:..O que nasce da carne é carne, o que nasce do Espírito é Espírito... Além disso, Ele está falando com um “fariseu notável” que teria a obrigação de saber do que se trata e o Batismo seria um ritual recente e não era praticado pelos fariseu e por outras linhas judaicas.
Os argumentos utilizados para entendermos este ensinamento até agora foram pesquisados no Novo Testamento mas, temos que lembrar que Jesus está argumentando com um fariseu que é do tempo em que não haviam estes livros (Evangelhos) e para entendermos melhor as questões que são colocadas para Nicodemos temos que argumentar com os conhecimentos que ele possui, portanto, o Antigo Testamento. Quando Jesus se refere a crianças ele está se referindo a gênesis antes de o ser humano ter experimentado da “arvore do conhecimento do bem e do mal”, Ele se refere a pureza da inocência para merecermos a companhia de Deus no Jardim do Éden.
Quando Jesus diz a Nicodemos: Pois, quem faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que suas obras não sejam demonstradas como culpáveis.”. Não seria este o exemplo de Adão quando se depara com sua nudez, neste momento Adão se esconde da Luz, que é Deus, e cobre sua nudez (Gênesis 3, 7), ou seja, a vergonha do erro (pecado) e neste texto com Nicodemos Jesus diz: Este é o julgamento: a luz veio ao mundo mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas obras eram más. Pois, quem faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que suas obras não sejam demonstradas como culpáveis.”.
Neste paraíso onde Deus é: Governante, Juiz, Oleiro, Pastor, Jardineiro, Pai e Marido, Deus, enquanto Jesus, também é a nossa “Arvore da Sabedoria”, esta sim o ser humano deveria ter colhido os seus frutos, longe das malicias cobiçosas e das podres articulações golpistas travestidas de justiça que tanto nos enganam. Isso tudo não é novidade alguma, em suas Cartas Pedro já dizia: (1 Pedro 2, 2) Portanto, rejeitando toda maldade, toda mentira, todas as formas de hipocrisia e de inveja e toda maledicência, desejai, como crianças recém nascidas, o leite não adulterado da palavra, a fim de que por ele cresçais para a salvação, já que provastes que o Senhor é bondoso.
Estes textos todos são auto-explicativos, não ha muito do que acrescentar. Eles nos ajudam a olharmos para nós mesmos com um espelho novo, e olhar à nossa volta com óculos novos também. Termos critérios para ouvir e quem ouvir é urgente, pois, nossos Hitleres ainda estão por ai, nos nossos ouvidos e nos de nossos filhos.
Nossa sociedade fez e continua fazendo guerras em nome de Deus, nos textos bíblicos podemos olhar para Deus no tempo de Moisés mandando fazer guerras. Também podemos olhar para Deus no tempo de Saul (1 Samuel 15, 3), e lermos que Deus mandou matar um povo inteiro inclusive mulheres e crianças. E podemos ver Jesus ensinando que Deus é o mais puro Amor e que Ele não é pela espada, no momento em que Ele manda Pedro guardar a sua espada quando por ele é arranca a orelha de um soldado (João 18, 10; Mateus 26, 51; Marcos 17, 47; Lucas 22, 50).
Mas então o que mudou? O que mudou na Caminhada ao longo do tempo entre Moisés e Jesus? E a resposta é: O conhecimento da figura de Deus, que encontra em Jesus o máximo da Revelação de um Deus que, continua sendo Senhor mas, que também é “Pai”.
Deus é Espírito e cada um de nós também o somos, no momento que somos o sopro divino (Gênesis 2, 7), quando Deus nos sopra as narinas saímos de suas mãos e passamos também a ser carne, ganhamos o maior milagre de todos, a Vida, passamos a existir em um mundo aquático (o ventre materno), o próprio Nicodemos toca neste assunto e Jesus responde: “Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.”. As palavras de Jesus são de Vida, ele está explicando como se dá a transição da vida em todos os seus planos, divino e terreno. Saímos das mãos de Deus e voltamos para Ele face a face, jamais morremos. Somos concebidos Dele a partir de seu sopro; vivemos em um mundo aquático no ventre materno, de onde nascemos para este mundo carnal; finalmente somos expulsos deste mundo para a Glória de Deus.
Este é um grande ensinamento mas, infelizmente não queremos beber na fonte dos ensinamentos bíblicos, pois, ainda nos dias de hoje preferimos ouvir as serpentes rastejantes vestidas de: aventais, ternos, túnicas e aquelas que usam um microfone em nossas tv’s. Todas são geradoras de opinião, saiba a quem você inclina os seus ouvidos.

“Portanto, rejeitando toda maldade, toda mentira, todas as formas de hipocrisia e de inveja e toda maledicência, desejai, como crianças recém nascidas, o leite não adulterado da palavra, a fim de que por ele cresçais para a salvação, já que provastes que o Senhor é bondoso.” - 1 Pedro (2, 2)


Quadro de Carlos Araujo - Título: "Nascer Novamente" 1993 - 2004

Dimensões: 270 x 320 cm - Óleo sobre tela colada em madeira
Página 411 do livro "Araujo - Pinturas do Antigo e Novo Testamento"


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Maria de Nazaré, a mãe do meu Senhor. Lucas 1, 26 - 49



“Isaac dirigiu-se a seu pai Abraão e disse: ‘Meu pai!’ Ele respondeu: ‘Sim, meu filho!’ – Eis o fogo e a lenha,’ retomou ele, ‘mas onde está o cordeiro para o holocausto?” Abraão respondeu: ‘É Deus quem proverá o cordeiro para o holocausto, meu filho”. (Gênesis 22, 7s)

Algumas vezes fica muito difícil escolher uma passagem bíblica para uma reflexão, outras vezes ela cai do céu, esta foi mais fácil, a mulher que eu amo me pediu para que escrevesse sobre Maria de Nazaré.
Por eu ser homem acredito que fica muito difícil refletir sob uma mulher, ainda mais quando esta mulher é a mãe do meu Senhor! Muitas teorias de diferentes linhas teológicas podem descorda desta afirmação, mas está escrito: Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite?”, e estas palavras foram ditas por Isabel que está completamente embebida Espírito Santo, negá-la seria blasfemar contra o Espírito.
Uma coisa que eu custo a entender é que: quando ouvimos nossos irmãos protestantes, principalmente os da linha pentecostal, falar sobre Maria, fica sempre a impressão de que eles acreditam que ela é algo mau, ou um terrível mal entendido da Igreja Católica em relação aos dogmas ou a sua teologia. Isso faz deste tema um assunto muito delicado e a intenção deste meu Blog é a de provocar reflexões e não discussões febris que não dignificam e nem tão pouco edificam os assuntos teológicos.
Nos textos bíblicos, Maria, quase sempre se retira em um silêncio meditativo, como quem soubesse exatamente o seu papel no Reino, e sua participação, que é de vital importância para todos nós, Maria tinha a exata dimensão de sua missão e do papel de seu filho Jesus. Assim como faz o Deus Pai em seu silêncio confiante.
Selecionei alguns textos bíblicos de relevância onde faço alguns paralelos com personagens antigos, seus valores e títulos preservados até os nossos dias, e no entanto, Maria que recebe o maior dom de toda a história humana é esquecida por muitas linhas teológicas. Estabeleci um paralelo muito interessante entre a Crucificação de Jesus e o sacrifício de Isaac, onde fica nítida uma enorme semelhança entre: a sempre lembrada paternidade de Abraão e a muitas vezes esquecida maternidade de Maria de Nazaré, a Mãe de Deus e Mãe da Fé.
Lucas 1, 26 – 49 “A anunciação, A visitação e O cântico de Maria”
“No sexto mês, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. Entrando onde ela estava, disse-lhe: ‘Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!’ Ela ficou intrigada com essa palavra e pôs-se a pensar qual seria o significado da saudação. O Anjo, porém, acrescentou: ‘Não temas, Maria! Encontrastes graça junto de Deus. Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho, e chamarás com o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará na casa de Jacó para sempre, e o seu reinado não terá fim’. Maria, porém, disse ao Anjo: ‘Como é que vai ser isso, se eu não conheço homem algum?’ O anjo lhe respondeu: ‘O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a sua sombra; por isso o Santo que nascer será chamado Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice, e este é o sexto mês para aquela que chamavam de estéril. Para Deus, com  efeito, nada é impossível.’ Disse, então, Maria: ‘Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo tua palavra!’ E o Anjo a deixou.
Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade de Judá. Entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, quando Isabel ouviu a saudação de Maria a criança lhe estremeceu no ventre e Isabel ficou repleta do Espírito Santo.
Com um grande grito, exclamou: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre! Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite? Pois quando tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria em meu ventre. Feliz aquela que creu, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!’
Maria então disse: ‘Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta Deus meu Salvador, porque olhou para a humilhação de sua serva. Sim! Doravante as gerações todas me chamarão de bem-aventurada, pois o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor.’”
Para começar esta reflexão poderia ser com as palavras de Isabel: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre! Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite?... Feliz aquela que creu, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!’. Aqui Isabel saúda Maria como a Mãe de Deus nas palavras: “mãe do meu Senhor”, eu de minha parte faço o mesmo.
Toda e qualquer tradução de algum texto para a língua vernácula sofre influência de seu tradutor, a palavra “virgem” é um destes casos. Para esta palavra acredito que a escolha mais adequada seria “jovem”, e ficaria assim: “a jovem conceberá” ou “e o nome da jovem era Maria”. Mas ela indiscutivelmente era virgem sim, e é ela mesma que deixa isso claro quando diz: Como é que vai ser isso, se eu não conheço homem algum?”. Naqueles tempo não era como nos dias de hoje, Maria tinha entre 12 e 13 anos de idade e a sociedade cobrava o casamento nesta idade justamente para minimizar o risco da perda da virgindade, entre outros motivos, mas tudo isso fazia parte daquela cultura.
Todas as questões que cercam Maria, assim como Abraão, são questões familiares: na cruz; no desaparecimento do menino e em seu reencontro no templo; nas bodas de Cana; na visita a Isabel; na multidão onde Jesus questiona sobre os seus parentes. O mesmo se sucede com a descendência e a passagem da crucificação de Jesus onde Ele se dirige a Maria, sua mãe e ao discípulo que está ao seu lado.
Observando o texto do sacrifício de Isaac nota-se algumas semelhanças entre Gênesis e a Crucificação de Jesus: “Abraão tomou a lenha do holocausto e a colocou sobre seu filho Isaac, tendo ele mesmo tomado nas mãos o fogo e o cutelo, e foram-se os dois juntos. Isaac dirigiu-se a seu pai Abraão e disse: ‘Meu pai!’ Ele respondeu: ‘Sim, meu filho!’ – Eis o fogo e a lenha,’ retomou ele, ‘mas onde está o cordeiro para o holocausto?” Abraão respondeu: ‘É Deus quem proverá o cordeiro para o holocausto, meu filho’. E foram-se os dois juntos.” (Gênesis 22, 6 - 8).
Podemos confrontar algumas semelhanças entre Gênesis e o Evangelho de João (19, 25ss), são dois textos que tratam de um sacrifício humano:

Em Gênesis é Isaac que carrega a lenha para o sacrifício e é ele que será sacrificado até então, nos evangelhos o mesmo acontece com Jesus, é Ele que carrega a cruz (lenha para o sacrifício) ao mesmo tempo que Ele é a vítima;

Em gênesis temos a frase: “Eis o cordeiro”, no Evangelho sabemos que o Cordeiro está lá e é o próprio Jesus;

Isaac tem sua vida garantida por Deus. Jesus é ressuscitado pela ação de  Deus;

Isaac está salvo, na figura dele está a promessa de Deus que é toda  a descendência de Abraão. O mesmo gesto e a mesma promessa é feita à Maria aos pés da Cruz, embora o filho de Maria esteja sendo morto a promessa está sendo renovada nas palavra de Jesus, quando Ele diz: “Eis o teu filho” e “Eis a tua mãe”.

No antigo testamento havia um profundo respeito pelo legado de Abraão, Moisés, Elias, entre muitos outros. A filiação abraâmica sempre foi de vital importância para o povo judeu e o cristão e todas as suas vertentes, deveria ser da mesma forma e com os mesmos valores a filiação mariana para o povo que se diz Cristão e sem exceções ou ressalvas. Maria também deixou o seu legado quando disse: Doravante as gerações todas me chamarão de bem-aventurada, pois o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor.”, ora, este é um texto bíblico e como tal deve ser respeitado. Eu como ser humano e filho da Dna. Nilza Garrote Colonhesi, mesmo quando ela se for (e eu não tenho pressa alguma), ela continuará sendo a minha mãe, seu nome continuará escrito em meus documentos pessoais, mesmo quando eu também me for.

Sempre devemos ler a bíblia de forma a questionar o texto, um bom exemplo é a passagem de (João 19): “Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa”. Na frase: “Eis a sua mãe”, e em seguida: “Eis o teu filho”, não seria o mesmo que afirmar: “Eis a tua descendência!”. Temos que parar e perguntar para o texto: Estaria Jesus delirando? Uma mãe sabe quem é seu filho e um filho sabe quem é a sua mãe, seria necessário Jesus dizê-lo? Então por que Ele o teria dito? Além disso neste texto está escrito: ..E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa. Seriam os seus outros filhos tão ingratos assim? Maria tinha realmente outros filhos, além de Jesus, não teria ela ido morar aos cuidados destes filhos?

Às questões acima, responda você mesmo(a). Outra questão, e esta eu quero responder, é: QUEM É O DISCIPULO AMADO??? E a resposta a está pergunta é: SOU EU, sim, eu mesmo! E por isso sou filho de Maria e posso e devo receba-la como tal. Em Maria e graças ao seu “SIM” está o meu elo filial com Deus. Como posso dizer: Deus é meu pai e Jesus é meu irmão mas, não sou filho de Maria! Se digo isso estou automaticamente negando as outras duas afirmações sobre a minha filiação divina.

Maria é a mãe da fé, assim como Abraão é o pai da mesma fé, reverenciar e bem-dizer Maria de Nazaré e seu imaculado ventre que trousse à Luz o meu Salvador e Senhor, não é o mesmo que adorá-la e sim dar o devido respeito ao seu papel junto à Ação Salvífica de Deus.


“E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.” (Gênesis 12, 2s).

Quadro: Carlos Araujo - "A Descendência da Mulher esmagará a cabeça da serpente" Bíblia - Citações".