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quarta-feira, 27 de março de 2013

Quem é o maior (Marcos 9, 30 – 50)


A Palavra e a Luz


É muito comum sentirmos algumas perturbações ao lermos alguns textos bíblicos, é algo como uma névoa que fica à frente dos nossos olhos, para reduzirmos um pouco deste efeito tão comum temos que ter um crivo para confrontar aquilo que entendermos ou ouvimos com o nosso conhecimento sobre a pessoa de Deus. Fazendo isso criamos um filtro para acrescentar ou refutar novas ideias e a cada passo vamos enriquecendo mais e mais a nossa relação com Deus e sua grandeza.
Esta passagem de Marcos vai de encontro a tudo isso, ela questiona tudo aquilo que entendemos e aprendemos sobre valores morais e éticos. Implode nossos conceitos piramidais de poder e nos mostra que o verdadeiro valor não está em ser servido.
Se quisermos realmente seguir Jesus devemos aprender o real sentidos de seus valiosos ensinamentos e como tal o texto abaixo está repleto destes sagrados valores.

Marcos 9, 30 – 50
(30) Tendo partido dali, caminhava através da Galileia, mas não queria que ninguém soubesse, pois ensinava aos seus discípulos e dizia-lhes: “O Filho do homem será entregue às mãos dos homens e eles o matarão e, morto, depois de três dias ele ressuscitará”. Eles, porém, não compreendiam essa palavra e tinham medo de interroga-lo. (33)
(34) E chegaram a Cafarnaum. Em casa, Ele lhes perguntou: “Sobre que discutíeis no caminho?” Ficaram em silêncio, porque pelo caminho vinham discutindo sobre qual era o maior. Então ele, sentou, chamou, os Doze e disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos”. Depois tomou uma criança, colocou-a no meio deles e, pegando-a nos braços, disse-lhes: Aquele que recebe uma destas crianças por causa do meu nome, a mim recebe; e aquele que me recebe, não é a mim que recebe, mas sim àquele que me enviou”. (37)
Disse-lhe João: Mestre, vimos alguém que não nos segue, expulsando demônios em teu nome, e o impedimos porque não nos seguia”. Jesus, porém, disse: “Não o impeçais, pois não há ninguém que faça milagre em meu nome e logo depois possa falar mal de mim. Porque quem não é contra nós é por nós.
De fato, quem vos der a beber um copo d’água por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa.
Se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem, melhor seria que lhe prendessem ao pescoço a mó que os jumentos movem e o atirassem ao mar. E se a tua mão te escandalizar, corta-a: melhor é entrares mutilado para a Vida do que, tendo as duas mãos, ires para a geena, para o fogo inextinguível. E se teu pé te escandalizar, corta-o: melhor é entrares com um só pé na Vida do que tendo dois pés, seres atirado na geena. E se teu olho te escandalizar, arranca-o: melhor é entrares com um só olho no Reino de Deus do que, tendo os dois olhos, seres atirado na geena, onde o verme não morre e onde o fogo não se extingue. Pois todos serão salgados com fogo. O sal é bom. Mas se o sal se tornar insípido, como retemperá-lo? Tende sal em vós mesmos e vivei em paz uns com os outros.”


No primeiro parágrafo do texto acima Jesus fala como se dará sua morte e ressurreição, embora seus discípulos sejam incapazes de compreender a dimensão do que está por vir, eles não tem coragem de perguntar o sentido daquelas palavras. Mas Jesus não está preocupado com isso, pois, Ele sabe que em seu devido tempo esta compreensão virá, embora muitos até hoje não compreendem.
Um dos aspectos, no texto de Marcos em questão, é que: apesar de estarem caminhando com Jesus, mesmo assim, os discípulos estavam divididos entre si, por conta da ambição que pairava sobre eles.
As disputas hierárquicas entre os discípulos tem presença marcante no Novo Testamento e é ai que o pecado original se manifesta, pecado que é inerente a todos nós. O pecado original foi entendido de forma errônea durante muito tempo, na realidade o pecado original é aquele desejo que temos de querer ser ou ter mais que os outros, não importando quem seja este outro, e isso, de uma forma ou de outra, acontece até nos corações mais puros. Em minha infância aprendi que o pecado original era o ato da relação sexual e com um pouco mais de idade fiquei com uma questão em minha cabeça: Como fica então a bênção que Deus deu aos seres humanos nas palavras de Gênesis 1, 28? “Deus os abençoou: "Frutificai, disse Ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.”. Tendo isso em vista, se o ato da relação sexual fosse o pecado original Deus estaria nos mandando pecar.
Jesus diz que entre os seus discípulos não deve ser assim, eles devem ser como crianças. Para entendermos melhor esta argumentação podemos pegar um exemplo no Novo Testamento: Maria, a mãe de Jesus, aos seus doze ou treze anos de idade, Deus lhe convida a conceber seu Filho, ela primeiro questiona e após receber a sua resposta aceita com um sim incondicional (Lucas 1, 34 - 38). Maria ainda era uma criança mas também era astuta, tanto que entendia que seria preciso um homem para conceber, além disso, assim que ela soube da gravidez de sua prima Isabel (Lucas 1, 39), ela correu para ajudar, pois, sabia também que seria uma gravidez de risco porque Isabel tinha idade avançada (Lucas 1, 7).
Em Marcos, quando Jesus pede aos seus discípulos para, arrancar, ou cortar um membro, Ele invariavelmente, menciona os membros do corpo humano que possuímos em pares. Jesus está nos dizendo que, todos temos os dois lados, só que Ele nos pede para trabalharmos o nosso lado bom e nos separarmos do nosso lado mal, fazendo isso Ele contrapõe um costume muito errado que carregamos conosco até os dias de hoje, quando dizemos: “aquela pessoa é do mal, ou “aquela é do bem”.
Afastar-se das coisas que dividem, das que desviam do Caminho de Deus, ter pureza no coração assim como as crianças mas, sem perder a astúcia, isso tem paralelo nos textos de Mateus, nas palavras do próprio Jesus, Ele diz: “Eis que vos envio como ovelhas entre lobos. Por isso, sede prudentes como as serpentes e sem malícia como as pombas”. (Mateus 10, 16), palavras duras, como tem que ser as palavras de um líder aos que pretendem segui-lo, mas mesmo assim Jesus está pedindo apenas o mínimo, astúcia e pureza de coração são pré-requisitos básicos para seguirmos Jesus.
Servir o menor é seguir o exemplo do Mestre Jesus quando lava os pés dos seus discípulos e ensina que eles devem fazer o mesmo (João 13, 12 – 17).
Servir a todos é o que Deus nos faz, como Pai que nos vê como crianças até os dias de hoje, e ninguém e nem nada consegue ser maior que Ele.

“Vós, portanto, amados, sabendo-o de antemão, precavei-vos, para não suceder que, levados pelos enganos desses ímpios, venhais a cair da vossa firmeza. Crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a Glória agora e até o dia da eternidade! Amém.” (2 Pedro 3, 17s).