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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Diálogo com Nicodemos – João 3, 1 – 21.




“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios..”. Salmo 1, 1

Textos escatológicos são sempre complexos, pois, fica difícil por um freio e não entrar nas reflexões especulativas. Quando o assunto é a escatologia, para mim, a única fonte confiável é Jesus, e Ele deixou apenas pistas sobre como é o Céu, nesta reflexão Jesus dirá: Se não credes quando vos falo das coisas da terra, como crereis quando vos falo das coisas do céu?”.
Assim como acontece com Nicodemos, sempre que nos deparamos com esta passagem, ficamos com a pulga atrás da orelha, com a pergunta do próprio Nicodemos:Como pode um homem nascer, sendo velho?”.

É um dialogo muito rico em detalhes e cheio de ensinamentos sobre, vida e morte, terra e céu, onde Jesus questiona o conhecimento religioso dos responsáveis por transmiti-los.
Leia este texto e depois acompanhe a reflexão, ele tem muito a nos ensinar.
João 3, 1 – 21 - Havia entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um notável entre os judeus. À noite ele veio encontrar Jesus e lhe disse: “Rabi, sabemos que vens da parte de Deus como mestre, pois ninguém pode fazer os sinais que fazes, se Deus não estiver com ele”. Jesus lhe respondeu: “Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus”.
Disse lhe Nicodemos: “Como pode um homem nascer, sendo já velho? Poderá entrar segunda vez no seio de sua mãe e nascer?” Respondeu-lhe Jesus: “Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que nasce da carne é carne, o que nasce do Espírito é Espírito. Não te admires de eu te haver dito: deveis nascer de novo.
O vento sopra onde quer e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito”.
Perguntou-lhe Nicodemos: “Como isso pode acontecer? Respondeu-lhe Jesus: “És mestre em Israel e ignoras essas coisas?
Em verdade, em verdade, te digo: falamos do que sabemos e damos testemunho do que vimos, porém,  não acolheis o nosso testemunho. Se não credes quando vos falo das coisas da terra, como crereis quando vos falo das coisas do céu?
Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem.
Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que seja levantado o Filho do Homem, a fim de que todo aquele que crer tenha nele vida eterna.
Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; quem não crê, já está julgado, porque não creu no nome do Filho único de Deus.
Este é o julgamento: a luz veio ao mundo mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas obras eram más.
Pois, quem faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que suas obras não sejam demonstradas como culpáveis.
Mas quem pratica a verdade vem para a luz para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus”.
Nicodemos é um notável entre os fariseus, ou seja, para os judeus ele seria um profundo conhecedor das sagradas escrituras e dos ensinamentos nelas contidos, só que este conhecimento já lhe foi passado de forma adulterada pelos responsáveis em transmiti-lo por entre as gerações. Nicodemos tem consciência e medo disso, pois, é dai que vem o seu medo de ser visto com Jesus e é por isso que ele vem falar com Jesus apenas a noite. E isso também está em discussão nas palavras de Jesus, quando Ele diz: ”Este é o julgamento: a luz veio ao mundo mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas obras eram más. Pois que faz o mal odeia a luz... Mas que pratica a verdade vem para a luz para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus”.
Quando Jesus diz: És mestre em Israel e ignoras essas coisas?, também está dizendo a nós todos que devemos ter nossos critérios para sabermos avaliar o que vem de Deus e o que não vem e nisso incluísse os nossos mestres. Discernir é necessário, uma vida melhor se faz em um mundo melhor e seus elementos básicos são, amor e justiça, precisamos ter critérios para discernir-mos, temos que ter consciência de que Deus é Pai amoroso e que o Caminho que me leva a Ele não tem pedágio, e Deus quer que tenhamos vida em abundancia, é Ele quem diz: “Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.” (Oséias 6, 6).

Outra coisa que devemos ter em mente é que, quando Jesus fala do Reino de Deus, Ele não esta falando apenas de um Reino no Céu, Ele está dizendo do Reino aqui na terra também e isso está em: Lucas 17, 21, Lucas 9, 27.

Para elucidar um pouco mais, podemos olhar outros ensinamentos de Jesus que, em outras palavras, contém os mesmos ensinamentos. No diálogo de Jesus com Nicodemos, quando Ele fala sobre “nascer novamente”, seria o mesmo ensinamento contido em:
Lucas (18, 17) – “Em verdade vos digo, aquele que não receber o Reino de Deus como uma criancinha, não entrará nele.”, aqui Ele está explicando que: não se entra no Reino de Deus como mestre e sim como aprendiz, assim como uma criancinha;
Mateus (18, 4) – “Aquele, portanto, que se tornar pequenino como esta criança , esse é o maior nos Reino dos céus.”;
1 Pedro (2, 2) – “Portanto, rejeitando toda maldade, toda mentira, todas as formas de hipocrisia e de inveja e toda maledicência, desejai, como crianças recém nascidas, o leite não adulterado da palavra, a fim de que por ele cresçais para a salvação, já que provastes que o Senhor é bondoso.”.
Seguindo um pouco mais em frente neste diálogo quando Jesus diz: “Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que nasce da carne é carne, o que nasce do Espírito é Espírito. Não te admires de eu te haver dito: deveis nascer de novo.”. Algumas reflexões diriam que, quando Jesus diz: “..nasce da água..”, Jesus está se referindo ao batismo mas, eu entendo que neste texto Ele se refere ao ventre materno, pois, primeiro ele diz: “..quem não nasce da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus...”, logo em seguida Ele explica:..O que nasce da carne é carne, o que nasce do Espírito é Espírito... Além disso, Ele está falando com um “fariseu notável” que teria a obrigação de saber do que se trata e o Batismo seria um ritual recente e não era praticado pelos fariseu e por outras linhas judaicas.
Os argumentos utilizados para entendermos este ensinamento até agora foram pesquisados no Novo Testamento mas, temos que lembrar que Jesus está argumentando com um fariseu que é do tempo em que não haviam estes livros (Evangelhos) e para entendermos melhor as questões que são colocadas para Nicodemos temos que argumentar com os conhecimentos que ele possui, portanto, o Antigo Testamento. Quando Jesus se refere a crianças ele está se referindo a gênesis antes de o ser humano ter experimentado da “arvore do conhecimento do bem e do mal”, Ele se refere a pureza da inocência para merecermos a companhia de Deus no Jardim do Éden.
Quando Jesus diz a Nicodemos: Pois, quem faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que suas obras não sejam demonstradas como culpáveis.”. Não seria este o exemplo de Adão quando se depara com sua nudez, neste momento Adão se esconde da Luz, que é Deus, e cobre sua nudez (Gênesis 3, 7), ou seja, a vergonha do erro (pecado) e neste texto com Nicodemos Jesus diz: Este é o julgamento: a luz veio ao mundo mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas obras eram más. Pois, quem faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que suas obras não sejam demonstradas como culpáveis.”.
Neste paraíso onde Deus é: Governante, Juiz, Oleiro, Pastor, Jardineiro, Pai e Marido, Deus, enquanto Jesus, também é a nossa “Arvore da Sabedoria”, esta sim o ser humano deveria ter colhido os seus frutos, longe das malicias cobiçosas e das podres articulações golpistas travestidas de justiça que tanto nos enganam. Isso tudo não é novidade alguma, em suas Cartas Pedro já dizia: (1 Pedro 2, 2) Portanto, rejeitando toda maldade, toda mentira, todas as formas de hipocrisia e de inveja e toda maledicência, desejai, como crianças recém nascidas, o leite não adulterado da palavra, a fim de que por ele cresçais para a salvação, já que provastes que o Senhor é bondoso.
Estes textos todos são auto-explicativos, não ha muito do que acrescentar. Eles nos ajudam a olharmos para nós mesmos com um espelho novo, e olhar à nossa volta com óculos novos também. Termos critérios para ouvir e quem ouvir é urgente, pois, nossos Hitleres ainda estão por ai, nos nossos ouvidos e nos de nossos filhos.
Nossa sociedade fez e continua fazendo guerras em nome de Deus, nos textos bíblicos podemos olhar para Deus no tempo de Moisés mandando fazer guerras. Também podemos olhar para Deus no tempo de Saul (1 Samuel 15, 3), e lermos que Deus mandou matar um povo inteiro inclusive mulheres e crianças. E podemos ver Jesus ensinando que Deus é o mais puro Amor e que Ele não é pela espada, no momento em que Ele manda Pedro guardar a sua espada quando por ele é arranca a orelha de um soldado (João 18, 10; Mateus 26, 51; Marcos 17, 47; Lucas 22, 50).
Mas então o que mudou? O que mudou na Caminhada ao longo do tempo entre Moisés e Jesus? E a resposta é: O conhecimento da figura de Deus, que encontra em Jesus o máximo da Revelação de um Deus que, continua sendo Senhor mas, que também é “Pai”.
Deus é Espírito e cada um de nós também o somos, no momento que somos o sopro divino (Gênesis 2, 7), quando Deus nos sopra as narinas saímos de suas mãos e passamos também a ser carne, ganhamos o maior milagre de todos, a Vida, passamos a existir em um mundo aquático (o ventre materno), o próprio Nicodemos toca neste assunto e Jesus responde: “Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.”. As palavras de Jesus são de Vida, ele está explicando como se dá a transição da vida em todos os seus planos, divino e terreno. Saímos das mãos de Deus e voltamos para Ele face a face, jamais morremos. Somos concebidos Dele a partir de seu sopro; vivemos em um mundo aquático no ventre materno, de onde nascemos para este mundo carnal; finalmente somos expulsos deste mundo para a Glória de Deus.
Este é um grande ensinamento mas, infelizmente não queremos beber na fonte dos ensinamentos bíblicos, pois, ainda nos dias de hoje preferimos ouvir as serpentes rastejantes vestidas de: aventais, ternos, túnicas e aquelas que usam um microfone em nossas tv’s. Todas são geradoras de opinião, saiba a quem você inclina os seus ouvidos.

“Portanto, rejeitando toda maldade, toda mentira, todas as formas de hipocrisia e de inveja e toda maledicência, desejai, como crianças recém nascidas, o leite não adulterado da palavra, a fim de que por ele cresçais para a salvação, já que provastes que o Senhor é bondoso.” - 1 Pedro (2, 2)


Quadro de Carlos Araujo - Título: "Nascer Novamente" 1993 - 2004

Dimensões: 270 x 320 cm - Óleo sobre tela colada em madeira
Página 411 do livro "Araujo - Pinturas do Antigo e Novo Testamento"


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Maria de Nazaré, a mãe do meu Senhor. Lucas 1, 26 - 49



“Isaac dirigiu-se a seu pai Abraão e disse: ‘Meu pai!’ Ele respondeu: ‘Sim, meu filho!’ – Eis o fogo e a lenha,’ retomou ele, ‘mas onde está o cordeiro para o holocausto?” Abraão respondeu: ‘É Deus quem proverá o cordeiro para o holocausto, meu filho”. (Gênesis 22, 7s)

Algumas vezes fica muito difícil escolher uma passagem bíblica para uma reflexão, outras vezes ela cai do céu, esta foi mais fácil, a mulher que eu amo me pediu para que escrevesse sobre Maria de Nazaré.
Por eu ser homem acredito que fica muito difícil refletir sob uma mulher, ainda mais quando esta mulher é a mãe do meu Senhor! Muitas teorias de diferentes linhas teológicas podem descorda desta afirmação, mas está escrito: Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite?”, e estas palavras foram ditas por Isabel que está completamente embebida Espírito Santo, negá-la seria blasfemar contra o Espírito.
Uma coisa que eu custo a entender é que: quando ouvimos nossos irmãos protestantes, principalmente os da linha pentecostal, falar sobre Maria, fica sempre a impressão de que eles acreditam que ela é algo mau, ou um terrível mal entendido da Igreja Católica em relação aos dogmas ou a sua teologia. Isso faz deste tema um assunto muito delicado e a intenção deste meu Blog é a de provocar reflexões e não discussões febris que não dignificam e nem tão pouco edificam os assuntos teológicos.
Nos textos bíblicos, Maria, quase sempre se retira em um silêncio meditativo, como quem soubesse exatamente o seu papel no Reino, e sua participação, que é de vital importância para todos nós, Maria tinha a exata dimensão de sua missão e do papel de seu filho Jesus. Assim como faz o Deus Pai em seu silêncio confiante.
Selecionei alguns textos bíblicos de relevância onde faço alguns paralelos com personagens antigos, seus valores e títulos preservados até os nossos dias, e no entanto, Maria que recebe o maior dom de toda a história humana é esquecida por muitas linhas teológicas. Estabeleci um paralelo muito interessante entre a Crucificação de Jesus e o sacrifício de Isaac, onde fica nítida uma enorme semelhança entre: a sempre lembrada paternidade de Abraão e a muitas vezes esquecida maternidade de Maria de Nazaré, a Mãe de Deus e Mãe da Fé.
Lucas 1, 26 – 49 “A anunciação, A visitação e O cântico de Maria”
“No sexto mês, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. Entrando onde ela estava, disse-lhe: ‘Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!’ Ela ficou intrigada com essa palavra e pôs-se a pensar qual seria o significado da saudação. O Anjo, porém, acrescentou: ‘Não temas, Maria! Encontrastes graça junto de Deus. Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho, e chamarás com o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará na casa de Jacó para sempre, e o seu reinado não terá fim’. Maria, porém, disse ao Anjo: ‘Como é que vai ser isso, se eu não conheço homem algum?’ O anjo lhe respondeu: ‘O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a sua sombra; por isso o Santo que nascer será chamado Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice, e este é o sexto mês para aquela que chamavam de estéril. Para Deus, com  efeito, nada é impossível.’ Disse, então, Maria: ‘Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo tua palavra!’ E o Anjo a deixou.
Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade de Judá. Entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, quando Isabel ouviu a saudação de Maria a criança lhe estremeceu no ventre e Isabel ficou repleta do Espírito Santo.
Com um grande grito, exclamou: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre! Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite? Pois quando tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria em meu ventre. Feliz aquela que creu, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!’
Maria então disse: ‘Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta Deus meu Salvador, porque olhou para a humilhação de sua serva. Sim! Doravante as gerações todas me chamarão de bem-aventurada, pois o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor.’”
Para começar esta reflexão poderia ser com as palavras de Isabel: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre! Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite?... Feliz aquela que creu, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!’. Aqui Isabel saúda Maria como a Mãe de Deus nas palavras: “mãe do meu Senhor”, eu de minha parte faço o mesmo.
Toda e qualquer tradução de algum texto para a língua vernácula sofre influência de seu tradutor, a palavra “virgem” é um destes casos. Para esta palavra acredito que a escolha mais adequada seria “jovem”, e ficaria assim: “a jovem conceberá” ou “e o nome da jovem era Maria”. Mas ela indiscutivelmente era virgem sim, e é ela mesma que deixa isso claro quando diz: Como é que vai ser isso, se eu não conheço homem algum?”. Naqueles tempo não era como nos dias de hoje, Maria tinha entre 12 e 13 anos de idade e a sociedade cobrava o casamento nesta idade justamente para minimizar o risco da perda da virgindade, entre outros motivos, mas tudo isso fazia parte daquela cultura.
Todas as questões que cercam Maria, assim como Abraão, são questões familiares: na cruz; no desaparecimento do menino e em seu reencontro no templo; nas bodas de Cana; na visita a Isabel; na multidão onde Jesus questiona sobre os seus parentes. O mesmo se sucede com a descendência e a passagem da crucificação de Jesus onde Ele se dirige a Maria, sua mãe e ao discípulo que está ao seu lado.
Observando o texto do sacrifício de Isaac nota-se algumas semelhanças entre Gênesis e a Crucificação de Jesus: “Abraão tomou a lenha do holocausto e a colocou sobre seu filho Isaac, tendo ele mesmo tomado nas mãos o fogo e o cutelo, e foram-se os dois juntos. Isaac dirigiu-se a seu pai Abraão e disse: ‘Meu pai!’ Ele respondeu: ‘Sim, meu filho!’ – Eis o fogo e a lenha,’ retomou ele, ‘mas onde está o cordeiro para o holocausto?” Abraão respondeu: ‘É Deus quem proverá o cordeiro para o holocausto, meu filho’. E foram-se os dois juntos.” (Gênesis 22, 6 - 8).
Podemos confrontar algumas semelhanças entre Gênesis e o Evangelho de João (19, 25ss), são dois textos que tratam de um sacrifício humano:

Em Gênesis é Isaac que carrega a lenha para o sacrifício e é ele que será sacrificado até então, nos evangelhos o mesmo acontece com Jesus, é Ele que carrega a cruz (lenha para o sacrifício) ao mesmo tempo que Ele é a vítima;

Em gênesis temos a frase: “Eis o cordeiro”, no Evangelho sabemos que o Cordeiro está lá e é o próprio Jesus;

Isaac tem sua vida garantida por Deus. Jesus é ressuscitado pela ação de  Deus;

Isaac está salvo, na figura dele está a promessa de Deus que é toda  a descendência de Abraão. O mesmo gesto e a mesma promessa é feita à Maria aos pés da Cruz, embora o filho de Maria esteja sendo morto a promessa está sendo renovada nas palavra de Jesus, quando Ele diz: “Eis o teu filho” e “Eis a tua mãe”.

No antigo testamento havia um profundo respeito pelo legado de Abraão, Moisés, Elias, entre muitos outros. A filiação abraâmica sempre foi de vital importância para o povo judeu e o cristão e todas as suas vertentes, deveria ser da mesma forma e com os mesmos valores a filiação mariana para o povo que se diz Cristão e sem exceções ou ressalvas. Maria também deixou o seu legado quando disse: Doravante as gerações todas me chamarão de bem-aventurada, pois o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor.”, ora, este é um texto bíblico e como tal deve ser respeitado. Eu como ser humano e filho da Dna. Nilza Garrote Colonhesi, mesmo quando ela se for (e eu não tenho pressa alguma), ela continuará sendo a minha mãe, seu nome continuará escrito em meus documentos pessoais, mesmo quando eu também me for.

Sempre devemos ler a bíblia de forma a questionar o texto, um bom exemplo é a passagem de (João 19): “Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa”. Na frase: “Eis a sua mãe”, e em seguida: “Eis o teu filho”, não seria o mesmo que afirmar: “Eis a tua descendência!”. Temos que parar e perguntar para o texto: Estaria Jesus delirando? Uma mãe sabe quem é seu filho e um filho sabe quem é a sua mãe, seria necessário Jesus dizê-lo? Então por que Ele o teria dito? Além disso neste texto está escrito: ..E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa. Seriam os seus outros filhos tão ingratos assim? Maria tinha realmente outros filhos, além de Jesus, não teria ela ido morar aos cuidados destes filhos?

Às questões acima, responda você mesmo(a). Outra questão, e esta eu quero responder, é: QUEM É O DISCIPULO AMADO??? E a resposta a está pergunta é: SOU EU, sim, eu mesmo! E por isso sou filho de Maria e posso e devo receba-la como tal. Em Maria e graças ao seu “SIM” está o meu elo filial com Deus. Como posso dizer: Deus é meu pai e Jesus é meu irmão mas, não sou filho de Maria! Se digo isso estou automaticamente negando as outras duas afirmações sobre a minha filiação divina.

Maria é a mãe da fé, assim como Abraão é o pai da mesma fé, reverenciar e bem-dizer Maria de Nazaré e seu imaculado ventre que trousse à Luz o meu Salvador e Senhor, não é o mesmo que adorá-la e sim dar o devido respeito ao seu papel junto à Ação Salvífica de Deus.


“E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.” (Gênesis 12, 2s).

Quadro: Carlos Araujo - "A Descendência da Mulher esmagará a cabeça da serpente" Bíblia - Citações".

sábado, 13 de novembro de 2010

A prisão de Jesus - João (18, 1 – 11), Mateus (26, 47 – 56), Lucas (22, 47 – 53) e Marcos (14, 43 – 52).



“Então disse Jesus aos doze: ‘Quereis vós também retirar-vos?’ Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: ‘Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna’.” João 6, 67s.
Muitas pessoas me perguntam, por que Jesus se oferece como alimento? Esta é uma pergunta muito complicada de se responder e saber a resposta a este mistério é uma coisa, explicar é um pouquinho mais difícil.
Divergências de opiniões fazem parte do ser humano, entre os discípulos elas também aconteciam e em todos os aspectos, uns acreditavam que Deus viria e colocaria um ponto final nas injustiças do mundo, está linha é a de Judas Iscariotes. Outros acreditavam que Deus viria por um ponto final mas, poderíamos dar uma ajudinha com as nossas próprias mãos, está linha era a de Pedro, e a prova disso é que Pedro andava armado com uma espada em sua cintura.
Jesus não era de nenhuma destas linhas, em seu tempo, quando caminhava entre nós, Ele ensinou que Deus viria acabar definitivamente com a injustiça e que podemos ajudar sim mas, com o amor, o perdão e a graça, e não com a espada e nem tão pouco com os braços cruzados.
Todo mistério nos conduz a uma investigação e é em formato de investigação que esta reflexão teológica será conduzida. As testemunhas serão os próprios evangelistas com os seus textos.
Os evangelistas são quatro, cada um tem um ponto de vista pessoal e se atentam a detalhes que escapam a percepção dos outros, quando desejamos fazer uma leitura mais aprofundada sobre uma determinada passagem, muitas vezes temos que ler a mesma passagem nos outros evangelhos,  para isso fiz uma montagem, pouco ortodoxa, juntei parte do texto que achei relevante e os colori, cada qual com a cor que estabeleci para o seu respectivo evangelista. A quem preferir leia os quatro evangelhos na integra.
 A prisão de Jesus
João 18, 1 – 11, Mateus 26, 47 – 56, Lucas 22, 47 – 53, Marcos 14, 43 – 52
 Tendo dito isso, Jesus foi com os seus discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia ali um jardim, onde Jesus entrou com seus discípulos. Ora, Judas, que o traía, conhecia também esse lugar porque, freqüentemente, Jesus e seus discípulos aí se reuniam. Eis que veio Judas, um dos Doze acompanhado de grande multidão com espadas e paus, da parte dos chefes dos sacerdotes e dos anciãos do povo. Seu traidor dera-lhes um sinal, dizendo: “É aquele que eu beijar; prendei-o”. E logo, aproximando-se de Jesus disse: “ Salve, Rabi!” e o beijou. Jesus respondeu-lhe: “Amigo, para que estás aqui? Então, avançando, deitaram a mão em Jesus e o prenderam.
Vendo o que estava para acontecer, os que se achavam com ele disseram-lhe: “Senhor, e se ferirmos à espada?” E um deles feriu o servo do Sumo Sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. O nome do servo era Malco. Jesus, porém, tomou a palavra e disse: “Deixai! Basta!” E tocando-lhe a orelha, curou-o. Mas Jesus lhe disse: “Guarda a tua espada no seu lugar, pois todos os que pegam a espada pela espada perecerão. Ou pensas tu que eu não poderia apelar para o meu pai, a fim de que ele pusesse à minha disposição, agora mesmo, mais de Doze legiões de anjos? Deixarei eu de beber o cálice que o Pai me deu? E como se cumpririam então as Escrituras, segundo as quais isso deve acontecer?” E naquela hora, disse Jesus às multidões: “Como ao ladrão, saístes para prender-me com espadas e paus! Eu sentava no Templo ensinando todos os dias e não me prendestes”. Tudo isso, porém, aconteceu para se cumprirem os escritos dos profetas: “Não perdi nenhum dos que me destes”. Então todos os discípulos, abandonando-o, fugiram. Um jovem o seguia, e sua roupa era só um lençol enrolado no corpo. E foram agarrá-lo. Ele, porém, deixando o lençol, fugiu nu.
Para entendermos melhor a simbologia deste texto, temos que recorrer ao antigo testamento, pois, aqui existem muitas relações entre eles. Estas relações são muito importantes e elas pautam toda a vida de Jesus porque é nele e para Ele que todos os textos sagrados apontam.
No Êxodo, Moisés e o povo na ultima praga do Egito, onde o cordeiro é oferecido para livrar o povo hebreu do anjo da morte que passaria e tiraria a vida de cada primogênito do Egito, e quem comesse da carne do cordeiro seria salvo. Na pessoa de Jesus, o primogênito e o cordeiro estão presentes e a morte não terá vez sobre Ele.
Outra relação com o antigo testamento da passagem que aqui estamos estudando, uns poucos versículos atrás, Jesus diz ser a Videira (Arvore da Vida) e Jesus está em um jardim, estas palavras chaves nos remetem a Genesis e o Jardim do Éden onde a Arvore da Vida Eterna se encontra no meio deste jardim. Deste jardim fomos expulsos por causa do pecado e aqui seremos resgatados e reinseridos ao seio do Criador, pois, Jesus aqui é a Arvore da Vida, É Ele que se oferece como alimento e é Ele quem diz: “...Tomai isso é o meu corpo...” (Marcos 14, 22). O contra ponto à esta afirmação está nas palavras de Deus Criador em Genesis: “Depois disse Iahweh Deus: ‘Se o homem já é como um de nós, versado no bem e no mal, que ele não estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma e viva para sempre!’”.  (GN 38, 22).
O que está em jogo aqui é a quebra da Aliança de Deus com a humanidade e o restabelecimento da mesma. Aqui está Nova e Eterna Aliança. Jesus é em tudo semelhante ao homem, menos no pecado, Ele é o novo Adão, é Ele quem vence o pecado e assim vence também a morte.
A prisão de Jesus é a continuação da Ceia Pascal, aqui estão presentes todos os elementos de um ritual de sacrifício, o sacerdote e sua investidura, a comunidade, a vitima da expiação pelos pecados e também as ferramentas necessárias para um ritual de sacrifício.
Jesus não é o cordeiro da expiação escolhido pelos homens e sim o Cordeiro imaculado escolhido por Deus e apontado pelos profetas. É Ele quem se oferece ao sacrifício, Ele está em um jardim feito cordeiro a espera dos outros elementos desta Eucaristia . Aqui é chegada a hora em que Jesus se apresenta como Cordeiro do Sacrifício quando diz: “Eu sentava no Templo ensinando todos os dias e não me prendestes”. Os sacrifícios eram realizados dentro do Templo e em um altar diante de toda a comunidade.
Outros elementos que tem relação com os antigos textos são: de investidura sacerdotal, no meio da multidão não se encontra o sumo sacerdote do Templo, pois, Jesus é quem está sendo investido desta função. O sangue e a orelha direita são outros elementos da consagração de investidura encontrado em Êxodo (29, 20), onde o sangue é colocado na orelha direita do sacerdote (Aarão e seus filhos),  outro acontecimento ligado a Aarão e seu sacerdócio está em Números (20, 23 – 29), onde ele, depois de morto é despido por Moisés que, obedecendo as ordens de Deus, passa as vestes de Aarão para Eleazar, filho de Aarão investindo-o e o consagrando como Sumo Sacerdote, aqui as vestes também são simbolicamente retiradas no momento em que o jovem que vestia apenas um lençol, que em sua fuga fica nu, deixando apenas as suas vestes. Simbolicamente seria a Investidura de Jesus como definitivo Sumo Sacerdote.
Quanto às armas, o que nos chama atenção é que elas também são apresentadas em rituais de sacrifício, a adaga (espada) era um instrumento necessário para imolar o animal que era oferecido em expiação dos pecados da comunidade. No texto em que Abraão irá sacrificar Isac a adaga também está presente. Em um exército a apresentação das armas faz parte de um ritual, elas são apresentadas momentos antes de saírem em marcha para a guerra, onde os soldados, de certa forma estariam indo, ou dispostos a ir, para o sacrifico.
A batalha que tem seu inicio aqui, não é uma batalha como acontece em disputas, ou guerras, está batalha é contra a morte, ela é que será vencida para todo sempre. Para esta batalha Jesus não precisa de soldados, nem anjos, nem espadas ou paus, para está batalha Jesus leva consigo nossos pecados e toda a pureza do amor do seu Ser. É o justo pelo injusto! O puro pelo impuro! A podridão dos fatos mais obscuros de nossa existência como humanos, confrontadas com a misericórdia que somente o infinito amor de Deus poderia redimir-nos.
Tudo isso é a nova e eterna Aliança entre Deus e a humanidade, a derrota da morte, o restabelecimento do Éden. Jesus é o Novo Adão, ele é a chave e o Caminho que nos levará ao reencontro com Deus e a sua Justiça.
Quando a humanidade entender que os seus atuais caminhos e modelos políticos, sociais e religiosos, só nos conduzem à injustiça! Quando os “poderosos” entenderem que as mesmas conseqüências que ameaçam os nossos descendentes, também ameaçam os descendentes dos mesmos! No dia em que a humanidade aprender a olhar para os Ensinamentos e Caminhos do mestre Jesus e entender que somente nele há Justiça, ai sim, somente ai nossos filhos e netos poderão viver um mundo melhor.
Enquanto isso não acontece, continuaremos nos submetendo às instituições falidas que ficam se reinventando cada vez mais na tentativa desesperada de manterem-se no podre e falso poder. Enquanto não abrirmos os nossos narizes para sentir o cheiro da podridão que emana destas fabricas de ignorância em massa, continuaremos vivendo este inferno de fezes que cerca nossa existência e ameaça a nossa descendência.
Gostaria muito de ainda estar neste mundo para ver a queda desta podridão. O perigo é que a chance de que ela apenas troque de mão ainda é muito grande.

Quadro: Carlos Araujo - "Jesus, a Videira" e "O Beijo de Judas" Bíblia - Citações"

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O túmulo vazio - Marcos 16, 1 - 6




“Quem rolará a pedra da entrada do túmulo para nós?”

Este é um texto muito claro que nos traz uma reflexão muito significativa, tanto de fé como pessoal.

Para muitos que me conhecem ela não é nenhuma novidade e para muitos que não me conhecem também, porém, ela é uma das minhas favoritas e quero partilhá-la com o maior número de pessoas possível.

Ao meu ver esta passagem nos mostra que, não importa o tamanho da dificuldade que estejamos passando, temos que continuar caminhando e na direção certa.

Marcos nos mostra que para tudo tem solução e derruba o ditado que diz: “Somente a morte não tem solução”. A grande novidade aqui é que ela tem solução sim!

Marcos (16, 1 – 6) - Passado o sábado, Maria de Magdala e Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ir ungir o corpo. De madrugada, no primeiro dia da semana, elas foram ao túmulo ao nascer do sol.

E diziam entre si: “Quem rolará a pedra da entrada do túmulo para nós?” E erguendo os olhos, viram que a pedra já fora removida. Ora, a pedra era muito grande. Tendo entrado no túmulo, elas viram um jovem sentado à direita, vestido com uma túnica branca, e ficaram cheias de espanto. Ele, porém, lhes disse: “Não vos espanteis! Procurais Jesus de Nazaré, o Crucificado. Ressuscitou, não está aqui. Vede o lugar onde o puseram.

No caminho daquelas mulheres haviam dois obstáculos, o primeiro era que a esperança havia se esvaído, pois, o Mestre estava morto; o segundo era a enorme pedra que as impedia de cumprir o ritual. No desfecho desta caminhada, nem a pedra estava fechando o túmulo e nem o corpo de Jesus se encontrava lá dentro.

O caminho que elas seguiam as levavam a Jesus, porém, um Jesus morto. Mas elas seguiram em frente e fazendo assim, encontram a pedra removida e recebem a grande novidade nas palavras do jovem que estava no túmulo: “Não vos espanteis! Procurais Jesus de Nazaré, o Crucificado. Ressuscitou, não está aqui. Vede o lugar onde o puseram”. A grande novidade aqui é que não se encontra Jesus em um cemitério, alias, no cemitério não se encontra ninguém, a não ser os amigos ou parentes que estão ali com flores e cheios de saudades.

Por duas vezes e no mesmo parágrafo Marcos destaca que é domingo. Ao meu ver sua intenção com isso é remeter-nos a “Criação” a inauguração de tudo, do nada absoluto e do caos mais profundo (o equivalente à morte), Deus suscita a vida. Marcos está nos dizendo que Jesus está vivo pois Ele venceu a morte e não foi somente para Ele, foi também para cada um de nós e de maneira definitiva e irrestrita.

Jesus é a novidade, Ele é o novo Adão, é Ele que, vencendo o pecado da corrupção mundana, inaugura a entrada para o Reino e restabelece todas as alianças do Criador com a humanidade.

Está passagem nos trás uma grande lição de perseverança mostrando que não importa quais são os tamanhos dos nossos problemas, temos que acreditar e confiar em Deus, pois, é Ele quem remove as pedras.

Se olharmos um poucos para trás poderemos ver quantas pedras foram arrancadas dos nossos caminhos e quantos anjos Deus nos enviou para nos ajudar à remove-las, muitas vezes estes anjos são os nossos filhos, outras vezes os nossos pais, amigos e até mesmo anônimos que surgem do nada. O que realmente importa aqui é caminhar e ter fé.

Para quem gosta daquele ditado que diz: “A esperança é a ultima que morre.”, bom se a sua esperança está depositada em Deus, então ela não morre!


"Mas Jesus lhe respondeu: "Segue-me e deixa que os mortos enterrem seus mortos". Mateus 8, 22









Quadro: Carlos Araujo - "O anjo sobre a pedra" Bíblia - Citações"